Produtividade industrial se recupera

A quantidade produzida dividida pelo número de horas trabalhadas cresceu 4,2% no terceiro trimestre deste ano, segundo a CNI

O Estado de S.Paulo

20 Novembro 2018 | 04h00

Graças a medidas tomadas pelas empresas e aos esforços mais vigorosos dos operários, a produtividade do trabalho na indústria de transformação, medida pela quantidade produzida dividida pelo número de horas trabalhadas, cresceu 4,2% no terceiro trimestre deste ano, segundo o último levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI). No período, a produção industrial cresceu 2,9% e o número de horas trabalhadas recuou 1,3%. É revertida, assim, a queda de 3,4% verificada no segundo trimestre, quando a atividade industrial foi gravemente afetada pela greve dos caminhoneiros.

Embora os resultados sejam bons, não se projeta uma taxa de crescimento em 2018 da produtividade da indústria de transformação igual à de 2017 (4,5%). Nos últimos 12 meses terminados em setembro, por sinal, o indicador específico cresceu 2,7% em relação ao mesmo período de 2017, lembrando-se que a produtividade também caiu 0,8% no primeiro trimestre deste ano.

Em face das condições internas e externas de mercado, “as indústrias fizeram ajustes organizacionais para reduzir desperdícios e evitar máquinas paradas”, comenta Samantha Cunha, economista da CNI. “Aumentos mais expressivos de produtividade daqui para a frente exigem novos investimentos em máquinas, equipamentos e inovações.”

Na realidade, o parque industrial brasileiro tem investido muito pouco, deixando de substituir maquinário em grande parte já defasado por novos equipamentos que incorporam avanços tecnológicos. Embora tardiamente, o governo busca encorajar a modernização necessária e, ainda há pouco, a Câmara de Comércio Exterior (Camex), por meio das Resoluções 85 e 86, de 9/11/2018, zerou as tarifas de importação de vários bens de capital e de bens de informática e telecomunicações, não produzidos no País, que antes estavam sujeitos a tarifas de 12% a 18%.

Como a Camex, que atua hoje no Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, deve ser transferida junto com a pasta para o Ministério da Economia, a ser criado pelo próximo governo, é possível que novas medidas venham a ser tomadas com vistas ao reequipamento da indústria. Espera-se que tais providências levem a uma recuperação da confiança dos empresários, da qual dependem os investimentos, como afirma a CNI.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.