Profissões rentáveis

Foi-se a época em que o funcionário público era mal remunerado. Entre as oito profissões mais bem remuneradas do País, sete são carreiras públicas, conforme consolidação feita pelo Estado, a partir do Resumo da Declaração por Ocupação Principal do Declarante, apresentado pelo Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros (Cetad), da Receita Federal, relativo ao ano de 2012, último disponível até o momento.

O Estado de S.Paulo

16 Março 2015 | 02h05

A consolidação feita pelo Estado utilizou três tipos de rendimentos, tal como faz a Receita Federal: a renda tributável (constituída principalmente pelo salário), os rendimentos isentos de tributação (como, por exemplo, os dividendos e os rendimentos da poupança) e a renda sujeita à tributação exclusiva na fonte (as aplicações financeiras, por exemplo).

No topo das profissões mais bem remuneradas estão os titulares de cartório, com uma renda média total no ano de 2012 de R$ 899 mil. Logo depois vêm os membros do Poder Judiciário e dos Tribunais de Contas, com um rendimento anual de R$ 476 mil. Em terceiro lugar estão os procuradores e os promotores do Ministério Público, com uma renda média anual de R$ 468 mil. Na quarta posição encontram-se os diplomatas, que receberam em 2012 um valor médio total de R$ 285 mil.

A seguir, na quinta posição vêm os médicos - primeira profissão da lista que inclui trabalhadores do setor privado - com uma renda média anual de R$ 264 mil. Em sexto, no ranking, estão os advogados do setor público (por exemplo, os procuradores da Fazenda), que receberam em média ao longo de 2012 um total de R$ 248 mil. A título de comparação, tal valor é quase o dobro da renda média anual do restante dos advogados (R$ 128 mil).

Voltando ao ranking das oito profissões mais bem remuneradas, aparecem na sétima e na oitava posições os servidores das carreiras do Banco Central, Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e Superintendência de Seguros Privados (Susep) - com uma renda média anual de R$ 242 mil - e os servidores das carreiras de auditoria fiscal e de fiscalização - R$ 239 mil anuais.

Nada mal, especialmente quando se tem em conta que a renda média anual, em 2012, dos 25,6 milhões de brasileiros que apresentaram a Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física foi de R$ 75 mil, segundo os dados da Receita.

Naturalmente, essas sete carreiras públicas mais bem remuneradas reúnem boa parte da elite do funcionalismo público e o seu ingresso exige dos candidatos anos de estudo e de dedicação. É de reconhecer também que médias gerais escondem, não poucas vezes, realidades particulares discrepantes. Por exemplo, há advogados do setor privado que auferem uma renda bem maior do que a média dessas carreiras públicas.

É revelador, no entanto, que as carreiras públicas dominem as oito primeiras posições do ranking das profissões, sendo a única exceção os médicos. Ou seja, o poder público paga muito bem a algumas carreiras, na comparação com a média do País. Trata-se de uma conta que sai cada vez mais cara para a sociedade, que tem de bancar um Estado cujos servidores recebem - como se vê - melhor que o restante da população.

Naturalmente, reconhecer essa distorção entre os setores privado e público não significa dizer que todos os servidores públicos ganhem bem. Caso evidente é o magistério. Usando os mesmos dados da Receita Federal, constata-se, por exemplo, que os professores do ensino infantil tiveram em 2012 um rendimento médio anual de R$ 45 mil. Já os do ensino superior obtiveram uma renda de R$ 135 mil, sempre considerando as três categorias de renda - tributável, isenta e de tributação exclusiva na fonte.

Na média global dos professores, que inclui os do ensino infantil, fundamental, médio, técnico e superior, a renda média total em 2012 foi de R$ 72 mil - valor abaixo da média brasileira (R$ 75 mil) e, por coincidência, muito próximo ao da renda dos 1.230 filósofos (R$ 73 mil) existentes no País, segundo dados da Receita.

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