Projeções para as contas públicas melhoram

Melhora das projeções para as contas do governo federal vem sendo observada desde junho

Editorial Econômico, O Estado de S.Paulo

19 Agosto 2018 | 05h00

As expectativas dos analistas do mercado consultados pelo Ministério da Fazenda sobre o desempenho das contas do governo federal melhoraram em agosto, na comparação com os resultados dos dois meses anteriores. A mediana das previsões para o déficit primário do governo central (que inclui os números do Tesouro Nacional, do Banco Central e da Previdência Social) caiu de R$ 149,6 bilhões aferida em julho para R$ 148,2 bilhões em agosto na pesquisa Prisma Fiscal da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Nos dois casos, a projeção é inferior à meta de déficit primário para este ano, de R$ 159 bilhões, o que pode sugerir menores dificuldades na gestão da política fiscal nos próximos meses.

O governo coleta mensalmente as opiniões de analistas do mercado sobre a evolução das principais variáveis fiscais – arrecadação de tributos federais, receita líquida, gastos totais, resultado primário (isto é, sem contar os juros da dívida) e a evolução da dívida bruta do governo central – para estabelecer com eles um sistema de troca de informações que assegure maior credibilidade à política fiscal.

A melhora das projeções para as contas do governo federal vem sendo observada desde junho, quando as avaliações dos analistas consultados refletiram a queda da atividade econômica provocada pela irresponsável greve dos caminhoneiros, que impediu a circulação de bens essenciais para o sistema produtivo e para o consumo das famílias. Não parece, por isso, uma melhora que decorra da percepção de recuperação mais firme da atividade econômica.

Também não se constatou na nova pesquisa maior otimismo com relação aos resultados de 2019. A mediana das estimativas para o déficit primário no ano que vem ficou em R$ 123,29 bilhões, igual ao resultado da pesquisa de julho. Diante da falta de propostas concretas dos candidatos à Presidência da República a respeito da condução da política fiscal a partir de 1.º de janeiro de 2019, é até surpreendente que as projeções para o próximo exercício não tenham piorado.

A estimativa para a dívida bruta do governo central como porcentagem do PIB no fim do ano, importante indicador sobre a sustentabilidade da política fiscal, de 76%, não mudou em relação à pesquisa do mês passado. Mas a projeção é de aumento para 78,1% do PIB em 2019.

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