Queda a conta-gotas dos juros ativos

Trata-se da sétima queda mensal consecutiva e é inegável a importância dessa queda dos juros cobrados dos tomadores pelos bancos e outras instituições de crédito, mas cabe ressaltar que, se essa tendência não for mais vigorosa, a economia demorará mais tempo para se recuperar

O Estado de S.Paulo

20 Julho 2017 | 03h05

Ao contrário da redução acentuada da taxa básica de juros, que caiu de 14,25% ao ano em junho de 2016 para 10,25% ao ano em junho de 2017 (ou seja, 28,1%), as taxas ativas (cobradas pelos bancos) das pessoas físicas caíram apenas 8,1%, de 154,35% para 141,93% ao ano no mesmo período, segundo pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças e Administração (Anefac), divulgada há pouco.

Trata-se da sétima queda mensal consecutiva e é inegável a importância dessa queda dos juros cobrados dos tomadores pelos bancos e outras instituições de crédito, mas cabe ressaltar que, se essa tendência não for mais vigorosa, a economia demorará mais tempo para se recuperar, como se constata pelos indicadores do comércio varejista.

Com a inflação em queda, há expectativa de novos recuos na taxa básica, mas entre maio e junho a taxa média de juros ativos cobrados das famílias caiu apenas 0,01%, chegando a subir no parcelado do cartão de crédito e no cheque especial, com taxas anuais de 355,11% e 303,60%, respectivamente. Caíram só os juros do comércio, dos empréstimos pessoais e do financiamento de automóveis nas operações de crédito direto ao consumidor de bancos e financeiras.

Também é lenta a queda dos juros cobrados das pessoas jurídicas, que passaram da média de 94,93% ao ano em maio para 93,83% ao ano em junho. Apenas no Estado de Santa Catarina, onde há sinais mais positivos de retomada da produção, os juros caíram acima de 1% entre maio e junho. Em São Paulo, a queda pelo mesmo critério de comparação foi de 0,90% de um mês para outro.

A pesquisa de juros da Anefac é feita com base nas taxas livres. A média não é, portanto, influenciada para baixo pelos juros do crédito direcionado, como o imobiliário e o consignado em folha de pagamento, como ocorre em outras pesquisas, como a do Banco Central. São as taxas livres apuradas pela Anefac as que mais se aproximam das pagas por pessoas físicas e jurídicas que vão aos bancos e às financeiras em busca de crédito.

Os níveis de juros no mercado livre, mesmo depois de caírem por mais de um semestre e serem os menores desde dezembro de 2015 para as pessoas físicas e desde fevereiro de 2016 para as pessoas jurídicas, continuam altíssimos, constituindo sério empecilho ao financiamento das empresas e ao consumo das famílias.

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