Queda do estoque de imóveis começou em 2016

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O Estado de S.Paulo

09 Maio 2017 | 03h10

Embora o mercado imobiliário tenha enfrentado no ano passado um período de “extrema retração”, segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), iniciou-se então um processo de redução do número de imóveis estocados – ou seja, construídos e não comercializados. A explicação para essa diminuição do estoque de imóveis é ruim (deveu-se à redução do número de lançamentos), mas nem por isso esse fato pode ser desconsiderado, por seu impacto positivo para as empresas.

Estudo da consultoria Brain para a Cbic, relativo a 2016 e abrangendo 20 das principais cidades e regiões metropolitanas do País, mostrou que 72.617 imóveis foram vendidos nas áreas analisadas, 13.231 mais do que as 59.386 unidades residenciais lançadas no período. O estoque de 135.142 unidades no primeiro trimestre caiu para 129.207 no quarto trimestre de 2016. A queda do estoque foi menor no último trimestre, quando houve uma intensificação dos lançamentos (20.941 unidades). A redução foi mais expressiva em Curitiba e no Rio de Janeiro, mas alcançou quase todas as áreas avaliadas.

Em razão da amplitude do levantamento, feito em regiões que representam cerca de 40% do PIB e 35% do potencial de consumo do País, os resultados ajudam a avaliar com razoável precisão o comportamento do mercado imobiliário por tipo de unidade e por locais.

Predominaram os lançamentos de imóveis com dois e três dormitórios (88,8% do total), mas as vendas foram de 84,6% da mostra. Ou seja, a oferta de moradia foi concentrada nos segmentos de classe média, mas a demanda nesse segmento específico deixou a desejar, o que se deve ao desemprego e ao temor dos mutuários potenciais de se comprometer com dívidas, ainda que para investir.

Já no caso dos imóveis de um e de quatro dormitórios, as vendas foram bem superiores à oferta. Nas unidades menores, isso se explica pelos preços mais baixos desses imóveis, mas não necessariamente pelo preço por metro quadrado. Nas unidades maiores, a oferta é mais condicionada à disponibilidade de áreas edificáveis, em especial em metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro.

A queda do estoque é o primeiro passo para a melhora do mercado imobiliário. Mas, segundo o presidente da Cbic, José Carlos Martins, o número de unidades à venda ainda é muito alto.

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