Queda dos juros ativos em câmera lenta

Caíram ininterruptamente nos últimos 13 meses, até dezembro de 2017, as taxas de juros cobradas das pessoas físicas e jurídicas pelos bancos e demais instituições financeiras

O Estado de S.Paulo

17 Janeiro 2018 | 03h12

Caíram ininterruptamente nos últimos 13 meses, até dezembro de 2017, as taxas de juros cobradas das pessoas físicas e jurídicas pelos bancos e demais instituições financeiras, segundo levantamento da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). Em média, as pessoas físicas pagaram em dezembro 7,33% ao mês e as empresas, 4,17%, indicando que os níveis de juros continuam altos o suficiente para desestimular a tomada de empréstimos. A remuneração de um ano das cadernetas de poupança (6,6% em 2017) não cobre um mês do juro médio cobrado das famílias.

Os juros de 4,13% ao mês dos empréstimos pessoais tomados em bancos são os menores desde junho de 2015, mas equivalem a 62,52% ao ano. Nas companhias de crédito e financiamento, os juros são os menores desde janeiro de 2015, mas são de 7,49% ao mês ou 137,91% ao ano.

Os juros do comércio são de 5,45% ao mês (89,04% ao ano) e os do crédito direto ao consumidor destinado à aquisição de veículos, de 2,01% ao mês ou 26,97% ao ano – ainda muito altos quando se imagina que a inflação oscilou, em 2017, entre o negativo de 0,42% registrado pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) da Fundação Getúlio Vargas e o levemente positivo revelado pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE, de 2,95%.

Ainda mais aberrantes são os juros do cheque especial (12,14% ao mês ou 295,48% ao ano) ou do cartão de crédito (12,74% ao mês ou 321,63% ao ano). Mas cabe reconhecer que em geral os juros são tão altos que o melhor que as famílias podem fazer é evitar a tomada de crédito, dando preferência, quando possível, ao uso de reservas em caso de despesas inadiáveis.

A queda dos juros também é constatada nas pesquisas do Banco Central, que são mais abrangentes, envolvendo o crédito direcionado, cujo custo é inferior ao do crédito livre pesquisado pela Anefac.

A explicação para o recuo dos juros está na queda da taxa Selic, que permite aos bancos captar recursos a custo menor. Mas só em parte há repasse da vantagem para o consumidor. Entre outubro de 2015 e dezembro de 2017, o juro básico caiu de 14,25% para 7% ao ano – e um novo corte é esperado. Os juros cobrados dos consumidores terão de cair muito mais para tornar atrativa a tomada de crédito.

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