Queda real dos preços de imóveis se acentua

Além de as informações recentes do mercado de imóveis mostrarem o baixo ritmo de atividade do setor, a queda do valor dos aluguéis e a oferta insatisfatória de crédito no segmento residencial, o Índice FipeZap divulgado há pouco revelou que os preços pedidos pelos imóveis em 20 cidades do País estão praticamente estáveis na média e em nenhum caso superaram a inflação acumulada em 12 meses.

O Estado de S. Paulo

10 Maio 2016 | 03h00

O quadro é radicalmente diferente do verificado nos últimos anos. Os preços pedidos subiram 24,77% em 2012, 13,45% em 2013 e 12,49% em 2014. Só em 2015 a alta (6,51%) foi inferior à inflação.

Em abril, para uma inflação oficial medida pelo IPCA de 9,28% em 12 meses, a alta nominal apurada no FipeZap foi de apenas 0,07%.

No primeiro quadrimestre, para uma inflação de 3,25%, os preços médios em São Paulo subiram apenas 0,2%, caíram 0,86% no Rio, aumentaram 0,77% em Belo Horizonte e cederam 0,26% no Distrito Federal. As quedas reais foram ainda mais acentuadas em Niterói, Santos e Recife. E as menos acentuadas foram registradas nas cidades de Florianópolis, Santo André e Goiânia.

Embora o Índice FipeZap não retrate com exatidão o comportamento do mercado, pois é construído com base em anúncios de venda e não nas operações efetivamente realizadas, ele indica as tendências dos preços de imóveis.

Num mercado desfavorável para o vendedor, é possível que os preços médios apurados sejam inferiores aos pedidos – R$ 7.619,00 o m² na média das cidades pesquisadas, entre o mínimo de R$ 3.544,00 em Contagem (MG) e o máximo de R$ 10.340,00 no Rio.

As disparidades de preços são enormes, dadas as características individuais dos imóveis: no Rio, por exemplo, o máximo superou R$ 20 mil o m² em Ipanema e Leblon, quase 10 vezes mais do que em Coelho Neto ou Cavalcanti.

Recessão econômica, alto desemprego e perda real de renda são os grandes responsáveis pelas dificuldades do mercado de imóveis. Mas há outros fatores. Já não existe o crédito farto a taxas competitivas oferecido pelo principal agente financiador (CEF), que reduziu empréstimos devido ao esgotamento dos recursos das cadernetas de poupança. A atividade torna-se rarefeita num mercado que depende de crédito de longo prazo.

Os indicadores do FipeZap sugerem que o reequilíbrio do mercado vai demorar – provavelmente só ocorrerá em fins de 2017 ou em 2018.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.