Quinze anos decisivos

Até 2030, a economia global deverá crescer mais de 50%, mais de 1 bilhão de pessoas irão morar nas cidades e cerca de US$ 90 trilhões serão investidos em infraestrutura. Segundo o relatório Better Growth, Better Climate - New Climate Economy Report (Crescimento Melhor, Clima Melhor), essas projeções mostram que os próximos 15 anos serão decisivos para a sustentabilidade do planeta. Elas significam também que o futuro ainda não está decidido: ainda há tempo de os governos tomarem decisões adequadas e que - se bem fundamentadas - podem aliar crescimento econômico e melhoria do meio ambiente. O realmente decisivo não serão as mudanças em si, mas o modo como elas serão gerenciadas pelos governos.

O Estado de S.Paulo

21 Setembro 2014 | 02h05

O relatório Crescimento Melhor, Clima Melhor - que servirá de base para a próxima cúpula climática a ser realizada em Nova York - foi elaborado pela Comissão Global sobre Economia e Clima, uma iniciativa independente de sete países (Reino Unido, Suécia, Noruega, Indonésia, Etiópia, Coreia do Sul e Colômbia) em parceria com diversos institutos de pesquisa. O objetivo da comissão é ajudar governos, empresas e a sociedade a tomar decisões com maior grau de informação sobre como alcançar o desenvolvimento econômico e, ao mesmo tempo, prevenir alterações climáticas que ponham em risco o futuro do planeta.

O estudo destaca a importância para o crescimento e para a sustentabilidade ambiental de três realidades econômicas básicas: as cidades, o uso da terra e a energia. Depois, relaciona cada uma dessas realidades com três fatores-chave para a mudança climática: a eficiência no uso de recursos, os investimentos em infraestrutura e a inovação.

Em relação às cidades, o relatório lembra que elas são os motores do crescimento. Geram cerca de 80% da produção econômica global e participam em torno de 70% do consumo global de energia. Um risco para o qual os governos devem estar atentos é o crescimento desordenado e não planejado das cidades, que acarreta importantes custos econômicos, sociais e ambientais. Aponta-se para a tendência de um desenvolvimento urbano mais compacto e mais bem conectado, o que reduziria custos e danos.

A comissão relaciona o uso da terra ao desafio de alimentar em 2030 uma população mundial de mais de 8 bilhões de pessoas. Pondera, por exemplo, que, com a restauração de 12% das terras degradadas no planeta, seria possível alimentar mais 200 milhões de pessoas. Recomenda ainda aos governos um sério empenho para coibir o desmatamento.

Para a energia, o estudo sugere reforçar a tendência de redução dos custos da energia limpa, especialmente a eólica e a solar, para se renovar a fonte de boa parte da energia usada no planeta. Também se recomenda forte investimento na melhora da eficiência energética.

Segundo o relatório, todos os países - seja qual for o seu nível de renda - têm a oportunidade de construir um crescimento econômico sustentável e, ao mesmo tempo, reduzir os graves riscos da mudança climática. Para tanto, sugere um Plano de Ação Global, com dez recomendações. Entre elas, está a importância de um acordo climático internacional sólido, duradouro e equitativo; a eliminação gradual dos subsídios aos combustíveis fósseis e insumos agrícolas; a redução substancial dos custos de investimento em infraestrutura de baixo carbono; a restauração, até 2030, de pelo menos 500 milhões de hectares de florestas e terras agrícolas degradadas.

O relatório alerta para uma falsa segurança que poderia surgir da leitura dos números propostos. Os modelos econômicos são capazes de gerar números precisos a respeito, por exemplo, do crescimento do PIB ou de empregos, mas, quanto ao futuro, os modelos podem, no máximo, oferecer estimativas. O futuro está aberto, mas tal constatação - em vez de conduzir à irresponsabilidade - deve promover a responsabilidade. E em primeiro lugar a responsabilidade de os governos se informarem bem antes de tomarem decisões que vão moldar os futuros padrões de crescimento, produtividade e sustentabilidade do planeta.

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