Reação apenas relativa da indústria

A produção industrial de janeiro apresentou, em relação a dezembro de 2008, crescimento de 2,3% na série com ajuste sazonal, o que, todavia, não pode ser interpretado como recuperação, haja vista o fato de, em relação ao mesmo mês do ano anterior, ter-se registrado em dezembro uma queda de 14,5%, que se eleva para 17,2% em janeiro.O crescimento de apenas 2,3% em janeiro nem de longe compensa a queda do período setembro-dezembro de 2008, de 49,2%. Apenas indica que a indústria, normalizados seus estoques, aumentou um pouco a produção para responder a uma eventual retomada da demanda. E o aumento registrado deveu-se basicamente ao de 40,8% na produção de carros.Quando se analisa a evolução da produção industrial por categoria de uso,dois fatos se destacam: a queda de 0,6% dos bens de consumo semiduráveis ou não-duráveis, vinculados à renda, e não ao crédito, e o crescimento de apenas 0,3% dos bens intermediários. No primeiro caso pode-se lembrar que a demanda das famílias sempre recua depois das festas (mas ela já havia caído 4,2% em dezembro). O segundo sinaliza que as empresas não estão se preparando para uma forte reação da demanda.A comparação com dezembro de 2008, com dados dessazonalizados, mostra aumento da produção em 15 dos 27 ramos pesquisados, com destaque para veículos automotores, material eletrônico e de comunicações (28,4%), têxtil (10,3%) e alimentos (1,6%), enquanto setores como máquinas e aparelhos elétricos acusam redução de 9,5%.A comparação com janeiro de 2008 nos parece mais ilustrativa da gravidade da queda de produção. Apenas um setor teve reação positiva, o dos equipamentos de transporte, excluídos os veículos automotores, com crescimento de 39,2% (ao que parece, o de navios). A maior queda foi de material elétrico (45,9%), seguida de veículos automotores (34,5% ) - o que mostra que a reação de janeiro está longe de alcançar o nível de um ano atrás - e de metalurgia de base (31,3%).Segundo as primeiras sondagens, parece que em fevereiro houve uma ligeira melhora para a produção industrial, vinculada mais a uma reação das exportações (particularmente minérios) e à recomposição prudente dos estoques para produtos acabados, exceto os bens de capital. Mas é uma reação que não teve efeito sobre o nível de emprego por não representar tendência comprovada.

, O Estadao de S.Paulo

07 de março de 2009 | 00h00

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