Reativação da construção civil em marcha lenta

O indicador do nível de atividade do setor ficou abaixo da linha divisória dos 50 pontos, que marca a diferença entre aumento e queda na atividade

O Estado de S.Paulo

02 Maio 2018 | 03h00

O setor da construção civil, um dos mais afetados pela crise, vem demorando muito para ingressar em um ciclo firme de recuperação. Como informa a Sondagem Indústria da Construção, divulgada na semana passada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o indicador do nível de atividade do setor ficou em 47,1 pontos em março, o melhor resultado desde novembro de 2013, mas, mesmo assim, abaixo da linha divisória dos 50 pontos, que marca a diferença entre aumento e queda na atividade.

Em condições normais, com os juros relativamente baixos para a compra de imóveis, contando as instituições financeiras com bom volume de recursos para essa finalidade, o setor da construção civil já deveria, a essa altura, apresentar um cenário mais animador. A demanda, porém, reage lentamente em vista do alto desemprego e da insegurança dos consumidores, que, mesmo estando empregados, não se sentem encorajados a comprometer-se com gastos mais elevados como a compra de casa própria.

Com isso, as empresas de construção têm convivido com baixo nível de utilização da capacidade operacional, que foi de 57% em março. Embora o emprego no setor tenha aumentado 1,3 ponto no mês em relação a fevereiro, não passou de 45,4 pontos, também abaixo da linha dos 50 pontos, deixando claro que essa área, que é a maior fonte de ocupação na economia, ainda é marcada por um forte desemprego. A persistência de grande capacidade ociosa agrava a situação financeira das empresas do setor, que se ressentem da pesada carga tributária e dos altos juros cobrados para obtenção de capital de giro.

Apesar de tudo, as expectativas para os próximos meses são positivas. Em abril, houve pequenas quedas em relação a março, mas os empresários estão mais confiantes. Um indicador significativo é a maior disposição de investimento pelas empresas, que aumentou 4,1 pontos em abril em relação a março, ficando em 35,2 pontos, o maior indicador desde fevereiro de 2015. Espera-se que isso se traduza em novos empreendimentos e serviços, bem como aquisição de matérias-primas e aumento do número de empregados nos próximos meses.

Esta é uma questão de grande importância, pois, como se sabe, uma recuperação consistente da economia como um todo passa por um reaquecimento do setor da construção civil.

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