Recuo dos serviços reflete a fragilidade da demanda

A queda do volume de serviços foi de 2,4% em relação a setembro, eliminadas as influências sazonais, enquanto a receita nominal recuou 1,3% na mesma base de comparação

O Estado de S. Paulo

21 Dezembro 2016 | 03h14

A complexidade da situação econômica aparece com força no setor de serviços, que recuou cerca de 5% tanto neste ano como nos últimos 12 meses, revelando extrema fragilidade em outubro, pior mês da série histórica da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE.

A queda do volume de serviços foi de 2,4% em relação a setembro, eliminadas as influências sazonais, enquanto a receita nominal recuou 1,3% na mesma base de comparação.

O segmento reflete o impacto do desemprego e da perda de renda real sobre as mais diversas atividades, de telecomunicações e tecnologia de informação a serviços técnico-profissionais, de turismo a transportes terrestres, além de serviços prestados às famílias.

Restaurantes, lojas e cabeleireiros vazios, táxis circulando sem passageiros, morosidade menos intensa nas avenidas, empresas aéreas cortando voos e festas corporativas mais contidas são alguns dos sinais negativos do setor, que pesa cerca de 70% no PIB e gera muitas vagas.

Há um viés de piora e 2016 deverá mostrar um resultado pior que o do ano passado, segundo os analistas do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

Das cinco grandes categorias de serviços identificadas na PMS, só a de Serviços Prestados às Famílias acusou ligeiro aumento de atividade de 0,1% entre setembro e outubro, depois das quedas expressivas nos dois meses anteriores.

Em plena crise política, quando, aparentemente, seria previsível um aumento da demanda por serviços audiovisuais, de edição e agências de notícias, este item recuou 3,4% em relação a setembro e 6% nos últimos 12 meses, período que inclui o processo de impeachment da presidente da República.

Na comparação entre outubro de 2015 e outubro de 2016, houve queda no volume de serviços em todas as unidades da Federação, do mínimo de 1,9% no Acre ao máximo de 33,3% em Mato Grosso. Para uma queda média de 7,6% no País, na mesma base de comparação, saíram-se menos mal, entre as regiões mais desenvolvidas, os Estados de São Paulo e Rio Grande do Sul.

A queda dos serviços é tão generalizada e intensa que não parece poupar nem empresas que, historicamente, mantêm contratos indexados de longo prazo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.