Recuperação da capacidade de poupança

Depósitos em poupança registraram captação líquida de R$ 1,23 bilhão em abril. melhor dos últimos cinco anos

O Estado de S.Paulo

11 Maio 2018 | 04h00

O mês passado foi o melhor abril dos últimos cinco anos para os depósitos de poupança, que registraram uma captação líquida de R$ 1,23 bilhão na soma da caderneta rural e das cadernetas do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), cujos recursos são aplicados, majoritariamente, no financiamento de habitações. Tão relevante quanto a existência de mais recursos para o crédito é o fato de que as pessoas voltam a poupar, o que só é possível quando há renda disponível, indicando que os orçamentos familiares tendem ao equilíbrio.

O fato novo foi a captação elevada da caderneta rural, de R$ 1,17 bilhão. O grosso dessa captação foi feito pelo Banco do Brasil, que é o principal agente da poupança rural.

O SBPE como um todo captou apenas R$ 65 milhões em termos líquidos. É um valor pouco expressivo, mas muito melhor do que o dos meses de abril dos últimos anos. Tanto em abril de 2015 como em abril de 2016, a captação líquida negativa no SBPE foi de R$ 5,2 bilhões e, em abril de 2017, o recuo foi de quase R$ 0,5 bilhão, segundo o Relatório Depósitos de Poupança do Banco Central.

No primeiro quadrimestre de 2018, ainda foi negativa em R$ 2,6 bilhões a captação líquida no SBPE, mas a tendência é de recuperação ao longo do ano. O saldo aplicado em poupança, que inclui a remuneração das cadernetas, atingiu R$ 570 bilhões no mês passado, R$ 2,2 bilhões mais do que em março de 2018 e R$ 55 bilhões acima do resultado de abril de 2017.

Embora alguns bancos apliquem mais do que o mínimo exigido em crédito imobiliário, continua havendo sobra de recursos para atender à demanda de incorporadores e mutuários. Mas essa demanda tem sido insatisfatória. Houve crescimento de 11,2% do crédito entre os primeiros quadrimestres de 2017 e 2018, mas a retomada é lenta. Em março, o SBPE aplicou R$ 3,8 bilhões, 5,2% menos do que em março de 2017. Entre os últimos 12 meses e os 12 meses anteriores, houve recuo de 3,2% nas aplicações, que atingiram R$ 44,3 bilhões. Este valor é 60% inferior ao de R$ 112,9 bilhões aplicados em 2014.

O que chama a atenção é a volta dos aplicadores não apenas para as cadernetas, mas para fundos de ações e multimercado. Graças ao aumento das reservas financeiras, as famílias poderão, no futuro, ampliar gastos de consumo e de investimento, ajudando a economia.

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