Recuperação gradual do varejo persiste

A retomada do ritmo de atividade do varejo é atribuída à redução de juros, expansão do crédito, melhoria do nível de renda e diminuição do desemprego

O Estado de S.Paulo

22 Outubro 2017 | 05h00

Depois dos indicadores mais fracos do varejo relativos a agosto, anunciados há dias pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Boa Vista SCPC divulgou o Indicador Movimento do Comércio relativo a setembro, mostrando um crescimento das vendas de 1,5% no País comparativamente a agosto. Os indicadores são diferentes e a avaliação acumulada em 12 meses ainda é negativa (-2,1%), mas a entidade é otimista. “Depois de dois anos de retração, desde novembro de 2016 o indicador do comércio vem gradualmente se recuperando quando observado na aferição acumulada em 12 meses”, avaliam os técnicos da Boa Vista SCPC.

Entre setembro de 2016 e setembro de 2017, a atividade do item Móveis e Eletrodomésticos aumentou 10,2% e deu a maior contribuição para o índice, também beneficiado pelo avanço de Supermercados, Alimentos e Bebidas, Outros Artigos do Varejo e Tecidos, Vestuários e Calçados. Só caiu, nessa base de comparação, a atividade de Combustíveis e Lubrificantes. Na média, o varejo cresceu 5,5% no período.

As comparações entre os primeiros três trimestres de 2016 e 2017 e entre os últimos 12 meses ainda são negativas, mas em porcentuais declinantes.

A retomada do ritmo de atividade do varejo é atribuída à redução de juros, expansão do crédito, melhoria do nível de renda e diminuição do desemprego. A inflação contida é parte relevante desse processo. 

Um dos fatores que corroboram a certeza de que o comércio se recupera está na demanda de pessoal. A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) prevê alta de 5% a 10% na contratação de empregados temporários neste fim de ano. O que se deve, segundo o presidente da ACSP, Alencar Burti, à melhora da economia, que já saiu da recessão, e “à reforma trabalhista”, que criou novas modalidades de contratação de empregados. “Além do temporário, há o trabalho intermitente e por tempo parcial”, enfatizou. “Houve também a regulamentação do home office e da terceirização.” 

A demanda de empregados merece especial atenção, pois, segundo Burti, ela dependerá da aplicação efetiva da reforma trabalhista, que entrará em vigor em novembro e enfrenta resistências. “Os resultados reais serão sentidos mais fortemente conforme a reforma se consolide”, afirma o presidente da ACSP. A frase traduz a relevância da modernização das regras trabalhistas.

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