Recuperação lenta da Petrobrás

O resultado foi pior do que o esperado, graves dificuldades financeiras persistem e, por isso, a venda de ativos continua sendo essencial para a busca do equilíbrio das contas

O Estado de S.Paulo

13 Agosto 2016 | 03h04

O resultado foi pior do que o esperado, graves dificuldades financeiras persistem e, por isso, a venda de ativos continua sendo essencial para a busca do equilíbrio das contas, da mesma forma que os investimentos precisam ser cortados, mas o balanço do segundo trimestre da Petrobrás indica que ela está no caminho da recuperação. É a primeira demonstração contábil de responsabilidade da diretoria presidida por Pedro Parente.

Pilhada durante anos por um esquema de corrupção cuja extensão vai sendo desvendada pelo avanço da Operação Lava Jato e utilizada politicamente pelo governo petista de acordo com seu projeto de perpetuar-se no poder, a empresa teve suas finanças destroçadas, sua capacidade de investimento comprometida e sua credibilidade fortemente corroída. Desde a troca de sua diretoria, promovida pelo governo do presidente em exercício Michel Temer, está sendo recuperada. No entanto, recolocá-la nos eixos, restaurando sua capacidade financeira, técnica e operacional por anos utilizada ilegalmente para enriquecimento de agentes públicos, políticos e empresas privadas, é tarefa difícil e demorada.

Ainda modestos, e sem a garantia de repetição no curto prazo, alguns resultados positivos começam a surgir, ao mesmo tempo que medidas extraordinárias – e, por isso, surpreendentes – têm sido tomadas, às vezes com impacto negativo sobre as demonstrações contábeis. O balanço do segundo trimestre é um bom retrato desse quadro.

Depois de acumular prejuízos por três trimestres consecutivos, a Petrobrás alcançou lucro de R$ 370 milhões de abril a junho deste ano. Embora positivo, o resultado não animou analistas financeiros e investidores, que projetavam lucro de até R$ 2 bilhões no período. Além do resultado menor do que o esperado, o balanço trimestral da empresa contém três outras informações não previstas. A primeira é o gasto de R$ 1,21 bilhão com o Programa de Incentivo ao Desligamento Voluntário; a segunda é a baixa contábil de R$ 1,124 bilhão de ativos do Complexo Petroquímico do Rio da Janeiro; e a terceira, a devolução de blocos de petróleo que ainda estão na fase exploratória.

Com o plano de demissão voluntária, até 6 mil funcionários deixarão a empresa, como parte do programa de ajuste. As baixas contábeis dão maior clareza aos balanços. E a devolução de blocos se deveu ao fato de que, para a empresa, eles deixaram de ser econômicas por causa do baixo preço do petróleo. “São eventos extraordinários”, justificou o diretor financeiro da Petrobrás, Ivan Monteiro. Enquanto não se aprovar o plano de negócios para os próximos cinco anos não é possível saber se novas baixas contábeis serão necessárias.

Do lado positivo, o balanço trimestral registrou a redução de 15% da dívida líquida, para R$ 332,29 bilhões. A queda não se deveu à quitação antecipada da dívida, mas à desvalorização do dólar em relação ao real (a dívida da estatal é preponderantemente em moeda americana). Apesar da diminuição, a dívida ainda é muito alta e continua sendo o maior problema da empresa.

A Petrobrás destaca, também como fato positivo, que o aumento da produção de petróleo e gás natural, para a média de 2,8 milhões de barris equivalentes por dia, contribuiu para melhorar seu desempenho.

O severo ajuste financeiro e operacional que está sendo conduzido pela atual diretoria da empresa já resultou na venda, por US$ 2,5 bilhões, da área de Carcará, no pré-sal da Bacia de Santos. A medida foi criticada por sindicalistas ainda presos a padrões ideológicos nacionalistas e estatizantes que predominaram no governo do PT, mas destacada pela Agência Internacional de Energia. Em seu mais recente relatório, a agência dedica duas páginas à avaliação das transformações pelas quais passam a Petrobrás e o setor de petróleo no Brasil. Destaca a produção do pré-sal, que em julho alcançou 1,11 milhão de barris por dia, e as iniciativas para mudar o regime de exploração dessa área, eliminando a obrigatoriedade da presença da Petrobrás e abrindo espaço para o investimento privado.

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