Recuperação lenta das contas de poupança

Apesar de oferecerem rendimento de apenas 0,37% ao mês, as contas de poupança ainda são a aplicação preferida de faixas de menor renda

O Estado de S.Paulo

20 Junho 2018 | 04h00

A captação líquida de R$ 2,9 bilhões em 30 de maio permitiu que as cadernetas do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) terminassem o mês registrando saldo positivo de R$ 1,2 bilhão. São recursos destinados majoritariamente para o financiamento habitacional, cujo saldo atingiu R$ 573,4 bilhões em maio, bem acima dos R$ 570 bilhões registrados em abril. 

O resultado dos depósitos e das retiradas dos primeiros cinco meses do ano foi bem melhor do que o de igual período dos últimos três anos, mas ainda é negativo em R$ 1,4 bilhão, mostrando a dificuldade enfrentada pelas famílias para reconstituir reservas financeiras consumidas no biênio 2015/2016, quando R$ 82,4 bilhões foram sacados, em termos líquidos, das cadernetas de poupança.

A captação de outra modalidade de poupança (rural), principalmente no Banco do Brasil, tem sido mais expressiva. No período de janeiro a maio, alcançou R$ 3,1 bilhões em termos líquidos, superando a captação de quase R$ 2,4 bilhões de 2017. 

Apesar de oferecerem rendimento de apenas 0,37% ao mês, as contas de poupança ainda são a aplicação preferida de faixas de menor renda, sendo utilizadas por depositantes como alternativa às contas correntes, com a vantagem de não se sujeitar a tarifas bancárias.

As contas de poupança do SBPE são o principal instrumento de captação de recursos destinados ao crédito imobiliário. Como a recuperação dos empréstimos também tem sido lenta, os bancos ainda reúnem recursos disponíveis para financiar a construção ou a aquisição de moradias.

Em 12 meses, até abril, os financiamentos do SBPE foram de apenas R$ 45,3 bilhões, pouco oscilando (-0,3%) em relação aos 12 meses anteriores. 

Sem pressa, os bancos se preparam para a retomada do mercado imobiliário, que deverá exigir um aumento mais expressivo do volume de financiamentos. Para isso, preparam-se para lançar um novo instrumento de captação, a Letra Imobiliária Garantida (LIG), lastreada em garantia imobiliária e semelhante aos covered bonds negociados no exterior.

Por ora, não é a falta de crédito que tolhe a retomada imobiliária, mas a demanda. Esta só não é maior devido à cautela de famílias que evitam se endividar. Também nesse mercado as incertezas eleitorais estão presentes, ante o risco de políticas populistas que afetem emprego e renda.

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