Recuperação lenta do setor industrial

Desempenho da indústria em outubro não compensou a queda verificada nos três meses anteriores

O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2018 | 04h00

O desempenho da indústria em outubro, com alta de 0,2% em relação a setembro, ficou aquém das expectativas dos analistas e nem de longe compensou a queda verificada nos três meses anteriores. Foi o que mostrou a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), refletindo o impacto sobre o setor secundário das turbulências políticas e econômicas presentes desde o segundo trimestre deste ano e que só agora se vão dissipando.

Os números foram insatisfatórios o bastante para que a comparação entre outubro de 2017 e outubro de 2018 apresentasse um avanço de apenas 1,1%. Os melhores resultados foram o crescimento de 1,8% entre os primeiros 10 meses de 2017 e de 2018 e de 2,3% nos últimos 12 meses, comparativamente aos 12 meses anteriores. Para o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), “cada vez mais os dados vão indicando que o setor industrial pode estar migrando de uma etapa de recuperação para uma fase de baixíssimo crescimento”.

Com queda de 8,4% entre outubro de 2017 e de 2018, a indústria de produtos alimentícios foi a que mais contribuiu para a fraqueza dos números. Houve influência direta da retração da produção de açúcar, por causa de fatores climáticos e da opção pela produção de etanol. Os resultados mais positivos vieram dos segmentos de automóveis, bens de capital e insumos típicos da construção civil.

Os Indicadores Industriais, elaborados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com metodologia diferente da do IBGE, também mostraram resultados insatisfatórios. Entre setembro e outubro deste ano, caíram o faturamento real (-2,2%), a utilização de capacidade instalada (-0,2 ponto porcentual) e o emprego (-0,2%). Mas os trabalhadores que preservaram o emprego foram poupados: o rendimento médio real avançou 0,7% e a massa salarial real subiu 0,3%.

Passadas as eleições gerais, houve melhora do humor das empresas e dos consumidores, o que levou alguns analistas a prever que o quarto trimestre deverá ser melhor do que o terceiro. O aumento das concessões de crédito em outubro é um dos fatores que justificaram esse prognóstico. Mas, ainda que a reação seja provável, o comportamento da indústria até outubro impede que os números anuais sejam vistosos. A indústria crescerá pouco em 2018 e uma retomada mais forte fica para 2019.

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