Recuperação sazonal das cadernetas de poupança

Poupança é favorecida pelo pagamento da primeira parcela do 13.º salário e pela necessidade das famílias de aumentar reservas de curto prazo, pois no início do ano crescem as obrigações com tributos e educação

O Estado de S. Paulo

13 Dezembro 2016 | 03h19

Novembro e dezembro são, sazonalmente, meses favoráveis à captação de recursos pelas cadernetas de poupança. Elas são favorecidas pelo pagamento da primeira parcela do 13.º salário e pela necessidade das famílias de aumentar reservas de curto prazo, pois no início do ano crescem as obrigações com tributos e educação. É o que explica a captação líquida de R$ 2,6 bilhões das cadernetas dos agentes do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), cujos recursos são destinados ao crédito imobiliário.

A desaceleração dos saques já era visível há alguns meses. Entre janeiro e novembro, as retiradas líquidas no SBPE foram de R$ 40,2 bilhões, ante R$ 54,9 bilhões em igual período do ano passado. É provável que a melhora persista neste mês.

Mas há aspectos além da sazonalidade e da prudência revelada pelos trabalhadores. Os números positivos contrastam com os de novembro de 2015, no auge da recessão, quando houve saques líquidos de R$ 961,7 milhões. É mais um indício de que a recessão está perdendo força.

Com o crédito da remuneração de juros e a correção pela TR, o saldo das cadernetas do SBPE atingiu R$ 503,8 bilhões. É o maior valor nominal do ano, mas inferior em quase R$ 11 bilhões ao saldo de novembro do ano passado.

É cedo para falar em recuperação sustentável das cadernetas, pois a reação atual pode ser transitória. Fundos de renda fixa continuarão propiciando remuneração superior à da poupança, como sugere a alta de quase R$ 90 bilhões na modalidade neste ano, segundo a Associação Nacional das Entidades do Mercado Financeiro e de Capitais.

Será necessária uma queda longa do juro básico para que a caderneta volte a ser competitiva, provavelmente no segundo semestre do ano que vem. Mas, com a queda da inflação, desde junho a renda da caderneta voltou a superar a inflação oficial.

Confirmando-se a previsão de que a demanda por crédito imobiliário voltará a crescer em 2017, os recursos das cadernetas continuarão insuficientes, exigindo complementação por outras modalidades de captação, mais onerosas. Para o mercado de imóveis, portanto, uma queda de juros terá impacto muito positivo.

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