Redução da perda d'água

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) identificou 17,2 mil ligações clandestinas de água e adulterações de hidrômetros no ano passado, fraudes que provocaram o desvio de mais de 3,5 bilhões de litros de água ? volume suficiente para abastecer 650 mil pessoas por um mês ? e prejuízo de R$ 18,5 milhões para a estatal. No ano anterior, foram registrados mais de 21 mil casos, com desvio de 5,4 bilhões de litros de água e prejuízo de R$ 26 milhões. Embora os números ainda sejam muito altos, a Sabesp tem conseguido diminuir os prejuízos causados pelas perdas comerciais ? resultantes de fraudes e ligações clandestinas ? e pelas resultantes de vazamentos nas redes.

, O Estado de S.Paulo

28 Maio 2010 | 00h00

Em 2009, o índice de perda foi reduzido para 26% do faturamento e a meta para este ano é diminuir para 24%, o que representa oito pontos porcentuais menos do que em 2006. A água que deixar de ser desviada ou de vazar das tubulações, no período de 2007 a 2010, será suficiente para abastecer 1,7 milhão de pessoas, sem necessidade de ampliar a captação e produção de água.

Além de grandes investimentos no programa de redução de perdas ? nos próximos três anos serão investidos R$ 700 milhões e, entre 2009 e 2019, o orçamento é de R$ 3,4 bilhões ?, a Sabesp desenvolve campanhas como o programa Agente da Gente, iniciado no ano passado, com equipes que convenceram os proprietários de 30 mil imóveis residenciais, onde mora 1,3 milhão de pessoas, a regularizar o fornecimento de água.

A meta do programa é transmitir aos moradores de bairros de baixa renda informações sobre a importância de ligações regularizadas, o que é fundamental para assegurar a qualidade da água e o destino certo dos dejetos. Ligações clandestinas podem contaminar a rede de distribuição e provocar infiltração no subsolo das casas, o que compromete suas estruturas e, consequentemente, a segurança dos imóveis. Por sua vez, ligações clandestinas de esgoto provocam graves danos no meio ambiente, principalmente nos cursos d"água e lençóis freáticos.

O custo dos serviços é sempre apontado como causa das fraudes cometidas pelas parcelas mais carentes da população. Por isso, a Sabesp ofereceu a tarifa social a mais de 600 mil consumidores que se enquadraram no perfil estabelecido pela Agência Reguladora de Saneamento (renda mensal, tamanho da moradia e consumo). A tarifa social corresponde, em média, a 33% do que é cobrado dos demais consumidores.

Para a população carente, a estatal desenvolve ainda projetos de hortas comunitárias, que são mantidas pelas comunidades. Os moradores plantam, consomem e vendem os alimentos e frutos. Isso resulta em economia e renda para a família, inclusive para pagar as contas da Sabesp. A produção de sabão, feito a partir do óleo de cozinha usado, também é estimulada pela estatal, em conjunto com organizações não-governamentais. Além de ajudar as famílias evita que o produto provoque entupimento das redes coletoras de esgoto.

A maior parte das ações que causam prejuízos à Sabesp ocorre em imóveis residenciais (82%). Os estabelecimentos comerciais representam 10% dos fraudadores, seguidos por empresas. A fraude mais frequente é a violação do hidrômetro que, no ano passado, atingiu 9,2 mil casos. As ligações clandestinas somaram 6,2 mil registros.

Ao trabalho dos Agentes da Gente soma-se uma fiscalização que, no ano passado, foi capaz de identificar e recuperar R$ 18,5 milhões fraudados por meio de ligações clandestinas. Depois do flagrante, os consumidores irregulares devem pagar o correspondente à média histórica de consumo pelo período de irregularidade apurado. A dívida pode ser parcelada.

O objetivo do plano de redução de perdas da Sabesp é reduzir o prejuízo anual de R$ 105 milhões com fraudes e vazamentos de água. A meta é baixar para 13% o índice de perdas, o que é fundamental numa área de capacidade hídrica já insuficiente, como é a região metropolitana.

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