Redução lenta no custo da dívida pública

O arrefecimento da inflação teve pouco efeito no custo médio da dívida pública mobiliária, que caiu de 14,66% ao ano para 14,37% entre setembro e outubro

O Estado de S.Paulo

01 Dezembro 2016 | 04h00

O arrefecimento da inflação teve pouco efeito no custo médio da dívida pública mobiliária, que caiu de 14,66% ao ano para 14,37% entre setembro e outubro, segundo o Tesouro Nacional. Em 12 meses, a inflação medida pelo IPCA passou de 8,47% em setembro para 7,87% ao ano em outubro (-0,6 ponto porcentual). Mas os investidores estrangeiros parecem acreditar que a inflação e os juros tendem, doravante, a cair mais rapidamente. Por isso, vendem papéis de curto prazo e aplicam em títulos mais longos, segundo o coordenador-geral da Dívida, Leandro Secunho.

Com a concentração de vencimentos em outubro, principalmente de papéis prefixados, o estoque da dívida caiu de R$ 3,046 trilhões para R$ 3,032 trilhões (-0,46%). O recuo teria sido maior sem a apropriação ao saldo da dívida de quase R$ 24 bilhões em juros.

A negociação de papéis do Tesouro no mercado secundário caiu entre setembro e outubro, de R$ 33,7 bilhões para R$ 24,5 bilhões por dia. O Tesouro interveio mais no mercado para dar liquidez aos títulos.

O estoque da dívida deverá voltar a crescer no último bimestre, não só por causa do valor mais baixo dos vencimentos em relação a outubro, como por alguma melhora nos indicadores da dívida. Por exemplo, diminuiu de 18,59% para 17,41% a parcela vencível nos próximos 12 meses e aumentou de 4,59 anos para 4,66 anos o prazo médio da dívida. Mas é uma melhora relativa, pois os prazos da dívida pública de países desenvolvidos são muito mais longos.

Entre setembro e outubro, as instituições financeiras reduziram em R$ 31,6 bilhões as carteiras de títulos públicos, ao mesmo tempo que aumentavam as posições de fundos de investimento e de previdência. Os investidores estrangeiros, que entre dezembro de 2015 e outubro haviam reduzido o peso na dívida de 18,79% para 14,97% (R$ 64 bilhões menos), estabilizaram a posição em relação a setembro.

Uma queda mais rápida dos juros poderá tornar os papéis privados mais competitivos. Isso ajuda a explicar o esforço dos administradores da dívida para atrair pessoas físicas para o Tesouro Direto, cujo número de aplicadores atingiu 1,02 milhão e cresce rapidamente.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.