Remédio em Casa

Em seis anos, o Programa Remédio em Casa da Secretaria Municipal da Saúde prescreveu 1 milhão de receitas para 211,4 mil pacientes que vivem na cidade de São Paulo. São doentes crônicos que sofrem de diabetes, hipertensão, colesterol alto e hipotireoidismo, para os quais são entregues 19 diferentes tipos de medicamentos. Para a manutenção do programa, a Prefeitura investe R$ 4,4 milhões por ano. O êxito do programa se deve, em grande parte, a um bom planejamento de estoques, que permite que todos os itens sejam requisitados à indústria farmacêutica com pelo menos quatro meses de antecedência. Segundo a Secretaria da Saúde, até hoje nunca houve falta de medicamento.

, O Estado de S.Paulo

29 Julho 2011 | 00h00

A operação do programa é totalmente informatizada e as unidades de saúde habilitadas fazem o cadastramento e o acompanhamento dos seus pacientes por meio de relatórios operacionais e gerenciais. Para aderir ao Remédio em Casa, o paciente marca uma consulta em uma das 466 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e o médico responsável pelo atendimento faz uma avaliação de seu estado de saúde. Uma vez confirmada a necessidade do tratamento, é a própria UBS que se responsabiliza pela entrega dos medicamentos prescritos. Eles são enviados em quantidade suficiente para o período de 90 dias. Antes de receber uma nova remessa, o paciente deve passar por consulta médica ou avaliação realizada por um grupo multiprofissional.

O programa permite que os doentes, além de receber os medicamentos de que precisam, sigam uma disciplina que é de grande valia para o tratamento. Os doentes são aconselhados a se dedicar a atividades físicas e sociais, o que é muito importante principalmente para os da terceira idade. Por meio de relatórios, é possível identificar pacientes sedentários e submetê-los a um acompanhamento contínuo, uma das condições essenciais para o sucesso de qualquer política de assistência a pessoas com doenças crônicas.

O controle dessas doenças tem um impacto altamente positivo na rede de saúde pública. Os pacientes beneficiados por ele deixam de engrossar as filas dos serviços de emergência de hospitais e unidades de saúde.

A iniciativa é inovadora e melhora a gestão da saúde pública e a qualidade de vida da população. Seus benefícios poderão ser ainda maiores se a administração municipal consolidar programas complementares, como o Estratégia de Saúde da Família, além de firmar parcerias com entidades de assistência social a exemplo do que foi feito com a Morada Nova Luz, que abriga cem idosos na Rua Helvetia, no centro da cidade.

Cumprindo um calendário preestabelecido, equipes do Estratégia de Saúde da Família realizam visitas periódicas para avaliação das condições dos abrigados na Morada Nova Luz. E aos que deles precisam o Programa Remédio em Casa assegura a entrega dos medicamentos durante todo o tratamento.

Com esse tipo de iniciativa a Prefeitura consegue elevar o nível da assistência oferecida à população e fazer melhor uso das verbas disponíveis para a saúde pública. As doenças cardiovasculares, por exemplo, são a principal causa de morte entre a população adulta do Brasil. A hipertensão arterial e o diabetes são dois dos principais fatores de risco para cardíacos, que podem, no entanto, ser controlados com o uso contínuo de medicamentos. No caso dos pacientes com hipotireoidismo, a falta de controle pode provocar redução no desempenho físico e mental, além de elevação nos níveis de colesterol, o que aumenta as chances de problemas cardíacos.

Nos últimos seis anos, a administração municipal foi bem-sucedida tanto em implantar como em ampliar o Programa Remédio em Casa. Tanto que o atendimento a pacientes com colesterol e triglicérides elevados, previsto como meta na Agenda 2012, já foi concretizado em 2009. Manter a eficiência do programa e sua conexão com outras iniciativas de saúde e assistência social é fundamental para a melhoria dos índices de qualidade de vida da população.

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