Respaldo externo à mudança econômica

A melhora da confiança no Brasil foi um dos fatores de maior peso para o pequeno avanço, de 72 pontos para 74 pontos, do Indicador de Clima Econômico (ICE) da América Latina no trimestre encerrado em abril, segundo levantamento recém-divulgado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em parceria com o instituto alemão Ifo.

O Estado de S. Paulo

15 Maio 2016 | 03h00

De fato, o Índice de Expectativas (IE) do Brasil, um dos componentes do indicador geral, cresceu 16 pontos em relação ao levantamento anterior, indo de 74 para 90 pontos, e, com isso, o ICE brasileiro subiu de 47 em janeiro para 55 pontos em abril. Evidentemente, essa evolução está relacionada à expectativa criada pela chegada ao poder de um novo governo, com uma proposta nítida de mudança de orientação da política econômica.

O ICE do País, porém, continua bem abaixo do índice de toda a região. Deve-se notar ainda que, de acordo com a pesquisa realizada com 1.078 especialistas econômicos de 116 países, somente 2 países do continente – o Paraguai, com 105 pontos, tendo adicionado um ponto desde janeiro, e o Peru, que passou de 97 para 104 pontos – alcançaram em abril um patamar considerado favorável em uma escala que pode chegar, no máximo, a 180 pontos.

Como previne a FGV, os resultados da pesquisa estão longe de ser animadores, mostrando que, na média dos últimos dez anos, o crescimento das economias dos países do continente tem ficado abaixo da média mundial, que se situa agora em torno de 100 pontos. Há países, como o Chile, que, apesar de uma economia organizada, ainda sofrem com a queda dos preços das commodities, no caso o cobre, seu principal produto de exportação. Outros são afetados pelos males de uma economia em colapso e de governos que não inspiram confiança no exterior, como a Venezuela e o Equador.

Se a maior confiança na ação do governo é um fator-chave para a recuperação econômica, deve-se levar em conta que as mudanças necessárias exigem tempo para apresentar resultados. Como adverte a economista Lia Valls, da FGV, o caso da Argentina impõe reflexões: “As expectativas melhoram (com a mudança de governo), mas depois os especialistas econômicos caem um pouco na real”. E, com efeito, o ICE da Argentina caiu de 109 em janeiro para 97 pontos em abril.

Mas, enfim, mais do que nunca, o Brasil precisa do respaldo internacional para retomar o crescimento.

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