Retomada da economia não afeta o superávit

Brasil continua sendo uma das economias mais fechadas do mundo, mas o avanço dos montantes comercializados é um sinal de reação das empresas locais, após a recessão do triênio 2014/2016

O Estado de S.Paulo

05 Setembro 2017 | 03h10

Em agosto, houve superávit de US$ 5,6 bilhões na balança comercial (diferença entre exportações e importações), com saldo de US$ 48,1 bilhões nos primeiros oito meses do ano e de US$ 63,4 bilhões em 12 meses, até agosto, dois recordes históricos. Entre julho e agosto, a média diária de importações cresceu 1,6%, de US$ 593,9 milhões para US$ 603,3 milhões, mas a média diária de exportações diminuiu 5,3%, de US$ 893,8 milhões para US$ 846,7 milhões.

Mais importações são sinal de retomada da demanda, mas o efeito sobre o saldo comercial foi pequeno e o ritmo de recuperação do comércio exterior segue forte. Mesmo que as importações ganhem espaço, parece certo que o superávit comercial do ano possa superar os US$ 60 bilhões, como prevê o Banco Central (BC).

Em 12 meses, a corrente de comércio do Brasil (soma de exportações e importações) atingiu US$ 351 bilhões, 7,7% superior à dos 12 meses anteriores, alcançando US$ 243,7 bilhões nos primeiros oito meses do ano, 13,5% mais do que em igual período de 2016. O Brasil continua sendo uma das economias mais fechadas do mundo, mas o avanço dos montantes comercializados é um sinal de reação das empresas locais, após a recessão do triênio 2014/2016, além de demonstrar que as exportações de manufaturados e de itens básicos ganham cada vez mais relevância na retomada.

Um destaque foi o crescimento das exportações de manufaturados, que avançaram 9,5% entre agosto de 2016 e agosto de 2017. Os produtos industrializados mais exportados foram automóveis de passageiros, laminados planos de ferro e aço e óleos combustíveis. As vendas de semimanufaturados foram ajudadas por celulose, itens de ferro e aço e açúcar em bruto. Já as vendas de commodities avançaram 24,5% no ano, puxadas por soja, milho e petróleo em bruto.

As perspectivas de crescimento econômico de 0,5% neste ano, segundo o Boletim Focus preparado pelo BC com base nas informações dos agentes econômicos, além do vigor das cotações de primários, deverão ser benéficas para o comércio exterior. Mesmo a piora das condições políticas na Ásia, com influência negativa sobre o ritmo global de crescimento, poderá ser favorável para algumas commodities, como o petróleo, que tem assegurado exportações crescentes e contribuído bastante para fortalecer o comércio.

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