Retomada faz subir os lucros das empresas

Companhias com ações negociadas em bolsa registraram aumento de 25,7% no lucro no ano até setembro, em relação aos mesmos meses de 2017

O Estado de S.Paulo

22 Novembro 2018 | 04h00

Entre julho e setembro deste ano, o lucro líquido de 304 empresas com ações negociadas em bolsa aumentou 25,7% em relação aos mesmos meses de 2017, somando R$ 53,58 bilhões, o quinto trimestre consecutivo de crescimento, segundo recente levantamento da Economática, que confirma a tendência de recuperação da atividade econômica. Dos 26 setores avaliados, 12 registraram aumento da lucratividade, 12 apresentaram queda e 2 (construção civil e minerais não metálicos) tiveram prejuízo no período considerado.

O dado mais surpreendente do estudo é o avanço do comércio. O lucro das 18 companhias abertas do setor atingiu R$ 1,33 bilhão, registrando alta de quase 500% em relação ao terceiro trimestre de 2017. Há um aparente contraste com os números relativos às vendas no varejo em geral, que têm apresentado algumas baixas mensais e, quando obtêm avanços, estes se dão por taxas pouco expressivas. Fogem desse padrão as grandes redes comerciais com ações em bolsa, muito ativas também no e-commerce, que têm sido mais beneficiadas pela queda dos juros e pelo incremento da massa de salários, fatores que impulsionam o consumo.

Numa visão geral, sobressaem os lucros apresentados pelas empresas estatais, que responderam por quase 10 pontos porcentuais no lucro do terceiro trimestre, como observa Einar Rivero, da Economática. Nesse grupo, a Petrobrás (lucro de R$ 6,64 bilhões no terceiro trimestre em comparação com R$ 266 milhões de julho a setembro de 2017) foi a recordista em valor, graças a uma conjuntura favorável, por causa da alta das cotações do petróleo e do consequente reajuste dos preços internos dos combustíveis.

Outras estatais – como Banco do Brasil (BB) e Caixa Econômica Federal – reforçaram o peso do setor financeiro, que liderou em valor o ranking setorial. O lucro líquido de 18 bancos somou R$ 18,90 bilhões, 30% a mais que o lucro obtido no terceiro trimestre de 2017.

De outra parte, foi uma grande empresa estatal – a Eletrobrás (prejuízo de R$ 1,62 bilhão no trimestre em análise), a principal candidata à privatização – que puxou para baixo a lucratividade do setor de energia elétrica, que recuou 31,4%. As empresas de mineração de capital aberto, incluindo a Vale, tiveram uma queda de 20% nos ganhos no período considerado.

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