Retrocesso no combate à dengue

O número de brasileiros infectados pela dengue aumentou mais de 70% no primeiro trimestre do ano, em comparação com o mesmo período de 2009. O maior foco da doença se concentra em Goiás, onde há mais de 50 mil casos registrados. Minas Gerais é o Estado do Sudeste com maior número de ocorrências (49 mil) e em Mato Grosso o total de doentes chegou a 31.510 pessoas. Mesmo São Paulo, onde por determinação do governo estadual o combate à dengue é ininterrupto, houve mais de 34 mil casos da doença no primeiro trimestre e 15 mortes. No primeiro trimestre de 2008, quando o País vivia um dos piores surtos de dengue, o Estado registrou apenas 1.297 casos da doença.

, O Estado de S.Paulo

22 Abril 2010 | 00h00

Chuvas e calor acima da média, além da volta da circulação da dengue tipo 1, são fatores que determinam o aumento do número de casos. Mas é inegável que, diante de bons resultados dos programas realizados anteriormente, houve certa acomodação por parte das autoridades encarregadas do combate à dengue.

O surto de 2008 assustou as autoridades e a população. Tanto que, nos quatro primeiros meses do ano passado, o Brasil conseguiu reduzir em 49% a quantidade de casos de dengue na comparação com o mesmo período de 2008, passando de 440.360 para 226.513.

Os recursos materiais destinados ao combate à dengue são fundamentais, mas de pouco valem sem ações complementares, de responsabilidade de governos locais e da população. Nos últimos anos, tanto a União como o governo paulista não pouparam recursos financeiros e técnicos para apoiar as prefeituras no combate à dengue.

Desde 2008, o Estado de São Paulo mantém programa específico, mesmo nos meses de inverno e primavera, quando cai o número de casos.

A Secretaria de Estado da Saúde investiu aproximadamente R$ 120 milhões nos últimos três anos em ações de controle da dengue. Além de agentes de apoio no controle de vetores, o órgão dispõe, desde 2007, de um esquadrão formado pelo menos por 200 profissionais, que se deslocam para os municípios para eliminar focos de resistência do mosquito transmissor da doença. Capacitação de profissionais de saúde para controle de vetores e atendimento médico de pacientes também fazem parte do programa.

Em março, diante do crescimento do número de casos no mês anterior ? 16.869 pessoas infectadas ?, o governo do Estado realizou uma megaoperação de combate que resultou em diminuição da incidência para 8.076 casos.

Também o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, não se perdeu em comemorações diante da significativa redução de 34,2% no número de casos de dengue registrada durante o ano passado em comparação a 2008. De janeiro a dezembro de 2009, o País registrou 529.237 notificações ante 803.522, no ano anterior. A redução do total de mortes foi de 39%.

Mas, diante das previsões de chuvas acima da média para o último verão, o Ministério da Saúde lançou, em novembro, a campanha "Brasil unido contra a dengue". Na época, a principal preocupação do governo federal era evitar que as administrações locais e a população relaxassem os cuidados.

O ministério formou caravanas que se dirigiram para as regiões de maior risco e o ministro Temporão decidiu manter o volume de recursos que permitiu a melhoria no período 2008/2009. Mais de R$ 1,02 bilhão foi colocado à disposição dos municípios e Estados para financiar as atividades de vigilância sanitária. Além de verbas, técnicos do ministério também elaboraram, em conjunto com muitos governos locais, planos de combate e suas estratégias.

Também há, desde julho, normas que padronizam as ações de vigilância e assistência em saúde para todo o Brasil. Enfim, houve orientação, recursos e todo tipo de suporte técnico necessário. Talvez o retrocesso não fosse tão grande se o Ministério tivesse fixado metas e resultados para os governos locais. Dessa forma se evitariam a inércia e o mau uso das verbas.

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