Riscos à captação de recursos no mercado global

Em fevereiro, investidores globais retiraram US$ 9,3 bilhões dos principais mercados emergentes, segundo relatório do Instituto Internacional de Finanças (IIF)

O Estado de S.Paulo

24 Fevereiro 2018 | 03h11

Em fevereiro, investidores globais retiraram US$ 9,3 bilhões dos principais mercados emergentes, segundo relatório do Instituto Internacional de Finanças (IIF). A informação, publicada pelo Estado, não indica se houve saída de recursos daqui ou se o País foi poupado pelos investidores. As retiradas diminuíram nos últimos dias, mas não convém ignorar o alerta do IIF sobre o risco de menor oferta de recursos, o que depende da evolução da economia americana, mas também de mudanças na percepção dos investidores quanto ao Brasil, cuja nota foi rebaixada ontem pela agência Fitch de classificação de risco.

Entre o fim de janeiro e meados de fevereiro, os investidores retiraram dos países emergentes US$ 7,5 bilhões dos mercados de ações e US$ 1,8 bilhão da renda fixa. No Brasil, os estrangeiros retiraram cerca de R$ 5 bilhões do mercado acionário em sete pregões de fevereiro, voltando a aplicar liquidamente a partir do dia 15.

A volatilidade contrasta com o que ocorreu em 2017, quando vultosos recursos foram aplicados nos países emergentes como investimentos diretos ou aplicações em títulos das empresas. As companhias brasileiras emitiram no mercado global mais de R$ 100 bilhões, com boa receptividade.

A interrupção dessa situação no início de fevereiro foi medida pela evolução dos prêmios de risco embutidos nos papéis. Em fevereiro, até o dia 14, o risco Brasil subiu 22 pontos, segundo a classificação Embi+ do banco JPMorgan. O risco medido pelos CDS (credit default swaps, uma avaliação do temor de inadimplência) saiu de menos de 150 pontos em janeiro para mais de 170 pontos no início de fevereiro. A partir do dia 15 voltou a cair e na quinta-feira estava em 157 pontos.

O principal fator de incerteza para os mercados globais é o risco de aumento acima do previsto do juro básico norte-americano. O IIF notou, em seu relatório, que cresce a expectativa de que o banco central norte-americano (Fed, na sigla em inglês) possa subir o juro básico, neste ano, não três, mas quatro vezes, o que deverá estimular a saída de recursos de países emergentes e a aplicação em títulos do Tesouro norte-americano.

O Brasil tem sido tratado com boa vontade pelos investidores globais, mas “tudo sugere que os melhores tempos já se foram”, afirmou o ex-diretor do BC Luís Eduardo Assis em artigo recente no Estado. A crise fiscal agrava o quadro.

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