Riscos crescentes no mercado do petróleo

Piora das perspectivas sobre o avanço da economia global e preços altos são os principais problemas para a commodity

O Estado de S.Paulo

20 Setembro 2018 | 04h00

A redução da demanda na União Europeia e na Ásia afetou as previsões sobre o mercado de petróleo e derivados feitas pela Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês). O último Relatório do Mercado de Petróleo da IEA nota que o ritmo de expansão da demanda diminuiu ligeiramente neste ano e o risco é de que o ano que vem seja mais afetado. Ao Brasil convém um mercado de petróleo forte, pois o País é grande exportador de óleo bruto e as cotações elevadas da commodity têm ajudado a Petrobrás a corrigir os enormes desequilíbrios gerados no período Dilma Rousseff.

Por ora, a demanda da China e da Índia segue expressiva, o que ajudou a elevar as cotações do óleo tipo Brent de cerca de US$ 70 o barril, em princípios de agosto, para perto de US$ 80 o barril, no início de setembro, segundo o Relatório do Mercado de Petróleo. A alta se deveu, em grande medida, ao declínio da produção da Venezuela e à aplicação das sanções norte-americanas às exportações de petróleo do Irã.

A IEA estima que a produção venezuelana atingiu 1,24 milhão de barris/dia (b/d), continua caindo e poderá atingir apenas 1 milhão de b/d nos próximos meses. Ante o embargo norte-americano, o Irã exportará cerca de 500 mil b/d a menos, o que poderá tornar o mercado do petróleo mais apertado. Porém esta não é uma questão pacífica.

A piora das perspectivas sobre o avanço da economia global e os preços altos são os principais problemas para o mercado do petróleo. Mas, apesar do declínio da oferta da Venezuela e do Irã, outros países estão extraindo mais óleo, como a Líbia, o Iraque e a Nigéria. A Arábia Saudita também elevou a oferta e os Estados Unidos estão produzindo mais shale gas, estimulados pela melhoria das cotações do óleo bruto. A produção norte-americana deverá crescer o equivalente a 1,7 milhão de b/d neste ano e 1,2 milhão de b/d no ano que vem.

Os analistas da IEA acreditam que “estamos entrando num período crucial para o mercado do petróleo”, ressalvando que as cotações entre US$ 70 e US$ 80 o barril estão sendo testadas.

Citado no estudo da IEA, o Brasil seria uma “grande história de sucesso” em 2018, mas “vários problemas têm impedido o crescimento” da produção de petróleo no País, que avançou apenas 30 mil b/d até agora, contra estimativa preliminar de 260 mil b/d.

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