Ritmo da queda de juros afasta tomadores

Números da Anefac mostram que os juros médios cobrados das pessoas físicas caíram de 7,20% em abril (130,32% ao ano) para 7,08% em maio (127,25% ao ano)

O Estado de S.Paulo

21 Junho 2018 | 04h00

Os juros cobrados por bancos, financeiras e pelo comércio caíram um pouquinho entre abril e maio e deverão continuar caindo nos próximos meses, segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). 

É o que se pode esperar de melhor, pois a economia voltou a patinar com a crise dos transportes e os preços de itens como gasolina e alimentos subiram fortemente, o que põe em risco a tendência de recuo dos juros, por mais necessária que seja. O motivo é que menos crescimento significa menos renda e maior risco de inadimplência. E esta é uma das principais explicações para os juros altos.

Os números da Anefac mostram que os juros médios cobrados das pessoas físicas caíram de 7,20% em abril (130,32% ao ano) para 7,08% em maio (127,25% ao ano). Das linhas analisadas, os menores custos são do CDC dos bancos para operações com automóveis, com custo de 25,19% ao ano, do empréstimo pessoal nos bancos, de 60,47% ao ano, e dos juros do comércio, de 85,84% ao ano. 

Juros ainda mais elevados são encontrados nos empréstimos pessoais das financeiras (131,36% ao ano) e no cheque especial e no cartão de crédito, com custo superior a 290% ao ano.

As taxas médias cobradas das pessoas jurídicas foram de 25,93% ao ano para capital de giro, 31,37% ao ano para desconto de duplicatas e 140,58% para conta garantida – espécie de cheque especial das empresas. Os juros pesquisados são os praticados no crédito livre, mais caro do que o direcionado. 

A Anefac enfatiza que os juros caem há três meses. Falta acrescentar que a queda é pequena para estimular a busca de crédito. 

Empresas que tomam recursos a juro alto têm menos flexibilidade para fixar preços e tentam transferir o ônus para os clientes. Somando-se aos juros os demais custos (tributários, administrativos, burocráticos, de logística), entende-se por que os preços no País são altos em comparação com os de outros países.

Relatório recente do Banco Central (BC) identifica a inadimplência como o maior responsável pelo elevado spread bancário (diferença entre o custo de aplicação e o custo de captação). 

A inadimplência se torna mais provável quanto mais alto é o custo do crédito. E este cai devagarinho, em ritmo menor que o da Selic.

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