Ritmo econômico explica a queda do desemprego

Entre julho e agosto, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE, o desemprego caiu de 6,9% para 6,7%, nível de queda recorde desde 2002. Os dados pesquisados nas seis maiores regiões metropolitanas (São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife) mostraram-se melhores do que se esperava e confirmaram o ritmo forte da atividade econômica, alimentado pelo crédito e pela elevação da renda dos trabalhadores, favorecendo a expansão do consumo.

, O Estado de S.Paulo

26 Setembro 2010 | 00h00

Em agosto, o rendimento real médio dos trabalhadores aumentou 1,4% em relação a julho e 5,5% em 12 meses, de R$ 1.395,21, em agosto de 2009, para R$ 1.472,10, no mês passado. O acréscimo mensal de R$ 76,89 na renda parece, mas não é, pequeno - permite, por exemplo, melhorar a qualidade da cesta básica ou adquirir em prazo de 12 meses uma TV de 29 polegadas, de tela plana. E a alta dos rendimentos foi maior em algumas categorias. Na média, os vencimentos reais de militares e funcionários públicos passaram de R$ 2.483,99 para R$ 2.653,20 (+6,8%) - quase R$ 170 mensais acima da inflação. Proporcionalmente maior foi a elevação da renda dos empregados da construção civil, de R$ 106,10 (+9,3%), e dos prestadores de serviços domésticos, de R$ 47,53 (+9,1%).

Empresas e famílias pagaram mais pelos serviços recebidos, um fenômeno típico das áreas geográficas mais desenvolvidas.

Em São Paulo o desemprego diminuiu de 7,2% para 6,8%, entre julho e agosto, e em Porto Alegre, de 4,8% para 4,6%. A desocupação também declinou expressivamente no Recife (de 10% para 9%) e em Salvador (de 12,3% para 11,7%) - o que parece se explicar mais pelo aumento dos gastos em ano eleitoral.

A massa de renda real cresceu 8,8% em 12 meses, resultado qualificado como excepcional pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). A massa real é o resultado da soma dos ganhos individuais ao do aumento de 3,2% do número de pessoas empregadas nas áreas pesquisadas - que atingiu 22,1 milhões em agosto, acréscimo de 691 mil vagas em um ano. Já o contingente de desocupados se reduziu de 289 mil pessoas (-15,3%) neste ano.

Com o pleno uso da capacidade instalada e as importações crescentes, há otimismo quanto ao ritmo de atividades no último trimestre. A questão é saber se não haverá repercussões negativas sobre os preços, obrigando o Banco Central a adotar ações defensivas. Nessa hipótese se pode prever um ritmo de crescimento mais contido em 2011.

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