Saldo comercial continuará dando suporte às contas cambiais

Primeiro grande indicador da situação cambial de 2016, a balança comercial refletiu a recessão intensa que limitou as importações e o comportamento insatisfatório do comércio global de bens e serviços

O Estado de S. Paulo

04 Janeiro 2017 | 05h00

O superávit da balança comercial (diferença entre exportações e importações) atingiu o recorde histórico de US$ 47,6 bilhões em 2016 e pelas projeções do boletim Focus, do Banco Central, continuará sendo expressivo em 2017, com estimativa de saldo de US$ 46,98 bilhões. Primeiro grande indicador da situação cambial de 2016, a balança comercial refletiu a recessão intensa que limitou as importações e o comportamento insatisfatório do comércio global de bens e serviços, um dos fatores que dificultaram a retomada das exportações.

Com um superávit de US$ 4,4 bilhões em dezembro, o saldo comercial continuou sendo o principal fator de equilíbrio do balanço de pagamentos, cujos dados serão conhecidos no final do mês. Mas com apenas US$ 724 milhões de média diária de exportações, inferior à média diária de US$ 738 milhões no ano, e de US$ 523 milhões de importações, contra a média anual de US$ 548 milhões, o País se mantém entre as economias mais fechadas do mundo, principalmente devido ao baixo dinamismo das vendas de manufaturados.

A corrente de comércio (soma de exportações e importações) – indicador mais importante do dinamismo do comércio exterior – atingiu US$ 322,7 bilhões em 2016, quase US$ 40 bilhões inferior à de 2015. Em relação ao quadriênio 2011-2014, quando a corrente de comércio atingiu a média anual de US$ 471 bilhões, a queda em 2016 foi de 31,5%.

A prioridade da política de comércio exterior em 2017 deverá ser a recuperação das exportações, mediante o aumento da produtividade, melhoria da logística e redução de custos do transporte, com mais eficiência de portos e velocidade no embarque e desembarque de mercadorias.

A valorização do real de 17,8% em 2016, fator negativo para a exportação, não se deverá repetir em 2017. E se os preços das commodities se estabilizarem, as exportações de itens básicos poderão compensar as perdas de 2016, quando as vendas de US$ 79,1 bilhões caíram 9,6% em relação a 2015. O aumento da safra contribuirá para esse resultado.

Há sinais de que as importações crescerão mais rapidamente em 2017. Se isso ocorrer, será indício de que a economia retoma fôlego. Isso é mais importante do que buscar superávits recordistas.

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Editorial econômico Banco Central

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