Saldo comercial contribuirá para o menor déficit cambial da década

O resultado confirma que a recuperação da economia segue a passos lentos, o que vem reduzindo a demanda por importações

O Estado de S. Paulo

09 Abril 2017 | 07h06

O superávit recorde registrado pela balança comercial em março – de US$ 7,1 bilhões, maior para o mês da série histórica iniciada em 1989 – decorreu tanto do aumento das exportações quanto da fraqueza das importações. O resultado confirma que a recuperação da economia segue a passos lentos, o que vem reduzindo a demanda por importações.

Os números do comércio exterior superaram as expectativas dos analistas. As estimativas para o superávit de 2017 passaram de US$ 47,7 bilhões para US$ 50,7 bilhões, segundo a consultoria Tendências, e de US$ 40 bilhões para US$ 60 bilhões, segundo a Rosenberg.

Se as tendências do primeiro trimestre persistirem, o déficit das transações correntes poderá ser o menor da década – de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB), ante 3,4% em 2015 e 1,3% no ano passado. O maior responsável pela evolução positiva do balanço de pagamentos será a conta de comércio.

As exportações de março, de US$ 20 bilhões (+20,1% em relação a março de 2016), foram lideradas por produtos básicos como minério de ferro, petróleo em bruto, carne suína e soja em grão, beneficiados pela valorização das commodities no mercado global.

Salvo para as empresas produtoras, foram limitados os efeitos da Operação Carne Fraca, porque a demanda no mundo continua vigorosa, razão pela qual em poucos dias foram suspensos os embargos à carne brasileira nos principais mercados.

Também avançaram as vendas de manufaturados, como automóveis de passageiros e veículos de carga, açúcar refinado, óleos combustíveis e tubos flexíveis de ferro e aço.

A recuperação da economia global e, em especial, de grandes importadores de produtos brasileiros, como a China, tem sido decisiva para o crescimento das vendas externas. O aumento da demanda da Argentina é observado com atenção, pois a retomada portenha apenas começa.

Se o saldo anualizado e dessazonalizado até 17 de março se repetisse até dezembro, o superávit atingiria US$ 77 bilhões, calcula o Bradesco. Não se trata de estimativa, mas de exercício aritmético. De qualquer forma, o vigor do superávit continua dependente de importações contidas, inclusive porque as tarifas brasileiras são altas, não acompanhando a queda de tarifas praticada nos últimos anos pela maioria dos países avançados e emergentes.

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