Saldo comercial garantido pelos produtos básicos

Nos dados da balança comercial de abril ganhou destaque o maior saldo positivo do ano ? US$ 1,283 bilhão. Isso se deveu em grande parte ao aumento de 21,6% na média diária das vendas de produtos básicos, enquanto os produtos manufaturados apresentaram crescimento de apenas 2,9% e as exportações totais, de 10,9%. As importações tiveram aumento de 6%.

, O Estado de S.Paulo

05 Maio 2010 | 00h00

Essa evolução está a merecer uma análise mais aprofundada. Estamos atravessando uma fase da economia mundial em que alguns produtos, pressionados por uma demanda excepcional, especialmente da China, vêm experimentando uma grande alta de preços. Infelizmente, os dados disponíveis sobre quantum e preços são só do 1.º trimestre, mas podemos afirmar que pioraram em abril. Verificou-se, naquele período, que o quantum dos produtos básicos cresceu 14,8% e os preços, 16,6%. Nos produtos semimanufaturados, os valores foram, respectivamente, de 5,4% e 23,4%. Já nos manufaturados, o volume cresceu 9,2%, enquanto os preços aumentaram apenas 7,7%.

Em abril, nos produtos básicos, os destaques cabem à soja em grão (US$ 1,7 bilhão), ao minério de ferro (US$ 1,4 bilhão) e ao petróleo bruto (US$ 1,3 bilhão) ? produtos que sofreram aumento sensível de preços. É bom notar que as importações de petróleo, no mesmo mês, somaram US$ 1 bilhão.

Nas exportações de semimanufaturados se destacam o açúcar bruto (US$ 477,5 milhões), a celulose (US$ 386,8 milhões), o ferro e aço (US$ 210 milhões). No caso dos manufaturados, a principal exportação foi de automóveis (US$ 313,1 milhões), que não chegou a compensar a importação de US$ 582,9 milhões. A exportação de aviões rendeu US$ 285,7 milhões ? nesse caso e no dos automóveis grande parte dos componentes é importada.

As importações de bens de capital somaram US$ 2,8 bilhões (aumento de 3,2% em relação a março); as de matérias-primas e bens intermediários, US$ 8,4 bilhões (+ 1,1%); as de bens de consumo não-duráveis, US$ o,9 bilhão (-12,4%); e duráveis, US$ 1,3 bilhão, com crescimento de 9%, apenas ultrapassado pelas de combustíveis (US$ 2,4 bilhões), com crescimento de 32,3%.

Hoje o governo deve anunciar novos incentivos à exportação, permitindo notadamente aos exportadores receber mais rapidamente os créditos fiscais que lhes forem outorgados. Seguramente, é do lado fiscal que deve vir mais ajuda aos exportadores que enfrentam concorrentes com carga tributária muito menor.

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