Saldo comercial recorde sustenta contas cambiais

O saldo comercial positivo recorde de US$ 34,9 bilhões no primeiro semestre, segundo o Banco Central (BC), ou de US$ 36,2 bilhões, segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic), foi o principal responsável pelo comportamento excepcional do balanço de pagamentos no período

O Estado de S.Paulo

22 Julho 2017 | 03h06

O saldo comercial positivo recorde de US$ 34,9 bilhões no primeiro semestre, segundo o Banco Central (BC), ou de US$ 36,2 bilhões, segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic), foi o principal responsável pelo comportamento excepcional do balanço de pagamentos no período. Se persistir, permitirá que o saldo nas transações correntes, historicamente deficitário, seja de apenas US$ 24 bilhões em 2017, informou o BC na nota de junho sobre o setor externo. Os indicadores comerciais, amparados, em especial, na retomada de exportações, vêm surpreendendo os especialistas, mas outros itens das contas cambiais também são satisfatórios.

O déficit de serviços está sob controle, na casa dos US$ 30 bilhões em 12 meses; o investimento direto no País superou US$ 36 bilhões entre janeiro e junho e é estimado pelo BC em US$ 75 bilhões neste ano. Em junho, houve superávit de US$ 1,3 bilhão – e, no semestre, de US$ 715 milhões – nas transações correntes, o principal item que mede a estabilidade cambial do País.

Ainda que surja déficit corrente neste semestre, ele deverá ser o menor dos últimos dez anos – de US$ 21 bilhões, segundo o boletim Focus, baseado em projeções do setor privado, ou de US$ 24 bilhões, segundo o BC.

A situação confortável das contas externas permite ao governo despreocupação com as flutuações cambiais e a ampliação da abertura da economia sem temor quanto às importações, como no passado. Estas estão contidas pela baixa atividade econômica. A situação cambial pode favorecer, assim, o principal: aumento da corrente de comércio (soma de exportações e importações). O resultado da corrente de comércio ainda é sofrível, previsto no boletim Focus em US$ 356,8 bilhões neste ano – 26% inferior ao de US$ 482,2 bilhões, registrado em 2011.

Com a recuperação do ritmo da atividade – o ministro Henrique Meirelles espera crescimento do PIB de 2% entre os quartos trimestres de 2016 e de 2017 – é provável, a partir de agora, não só a queda do saldo corrente, como do superávit comercial. Mas, embora o vigor das exportações de commodities agrícolas ceda após os recordes do início do ano, o importante é continuar criando condições fiscais e regulatórias, além de atrair investimentos na infraestrutura, para elevar as exportações, gerando emprego, renda e alta do PIB.

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