Saldo líquido da poupança em maio surpreende

A explicação mais óbvia para o resultado de maio é a autorização para o saque em contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), cuja quarta fase foi recentemente antecipada para terminar neste sábado

O Estado de S.Paulo

10 Junho 2017 | 03h09

Surpreendentemente, o volume dos depósitos nas contas de poupança superou em R$ 293 milhões os saques em maio, no que foi o primeiro resultado mensal positivo em 2017, segundo o Banco Central. O total de aplicações na poupança no mês passado alcançou R$ 180,194 bilhões, enquanto os saques somaram R$ 179,901 bilhões, elevando o estoque nessa modalidade de investimento para R$ 665,508 bilhões, aí computados os rendimentos de R$ 3,303 bilhões. O resultado surpreende porque, nos últimos anos, os saldos líquidos mensais têm sido registrados normalmente em novembro ou dezembro, quando é pago o 13.º salário.

A explicação mais óbvia para o resultado de maio é a autorização para o saque em contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), cuja quarta fase foi recentemente antecipada para terminar neste sábado. Isso deve ter influenciado o volume dos depósitos em poupança, que continua sendo a aplicação preferida dos pequenos investidores.

Embora possa ter havido influência dos saques do FGTS, outro fator deve ser considerado. Houve grande concentração de depósitos nos dias 30 e 31 de maio em razão de pagamento de salários, que são frequentemente depositados em contas de poupança. Nesses dois dias, o saldo positivo da poupança alcançou nada menos do que R$ 4,525 bilhões, um valor tido como excepcional.

É presumível que esses depósitos sejam em grande parte provisórios e que serão sacados pelas pessoas na medida de suas necessidades cotidianas ou para saldar compromissos em atraso. Vale notar, todavia, que o rendimento da poupança (0,5% ao mês mais a taxa referencial – TR) vem tornando esse tipo de aplicação bem mais atraente. Hoje, esse rendimento é calculado em pouco mais de 8,5% ao ano, numa fase em que a inflação nos últimos 12 meses está em 3,6%.

Com a prudência que os consumidores em geral vêm demonstrando num período de incertezas quanto à evolução da economia, não seria arriscado supor que as contas de poupança possam voltar a apresentar saldos positivos nos próximos meses.

De qualquer forma, a reação da poupança é boa notícia, não só porque demonstra mais conscientização dos consumidores, como também porque aumenta os recursos que poderão ser utilizados para alavancar a construção civil.

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