São Paulo e a Copa

No mesmo dia em que a Fifa anunciou a exclusão do Estádio do Morumbi da Copa do Mundo de 2014, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e do Comitê Organizador Local (COL) do Mundial, Ricardo Teixeira, fez questão de deixar claro que não existe o risco de a maior cidade do País ficar fora da competição. "A cidade de São Paulo é imprescindível para a Copa do Mundo. Vai ter uma posição de destaque na competição. A abertura tem de ser lá, com uma grande festa", disse ele na África do Sul, onde acompanha a atual competição.

, O Estado de S.Paulo

18 Junho 2010 | 00h00

É mesmo muito difícil de imaginar uma Copa sem a maior e mais rica cidade do País, mas é exatamente para isso que se caminha, ao se deixar o Morumbi de fora a esta altura dos preparativos, independentemente das razões que levaram a essa decisão. Não será fácil encontrar uma solução para o problema, principalmente tendo em vista que parece fora de cogitação que se coloque dinheiro público na construção de um novo estádio, que vai depender assim de capitais privados. Estariam os donos desses capitais dispostos a correr o risco, que é alto, de entrar numa empreitada como essa, que envolve algumas centenas de milhões de reais?

O que os brasileiros em geral ? que evidentemente esperam que o País "faça bonito" na Copa de 2014 ? e especialmente os paulistas se perguntam é como e por que se chegou a essa situação. Alegam a Fifa e o COL que a responsabilidade pelo desfecho desse caso cabe ao São Paulo Futebol Clube, proprietário do Morumbi, cuja diretoria não apresentou as garantias financeiras necessárias para o projeto de reforma do estádio ? destinada a adaptá-lo às exigências da competição ?, de R$ 630 milhões. Em vez disso, acrescentam, apresentaram um outro projeto, mais modesto, de R$ 265 milhões.

O São Paulo, claro, nega essa versão. Seu presidente, Juvenal Juvêncio, afirma que aquela decisão foi tomada de forma arbitrária exatamente no momento em que o clube tinha acabado de apresentar um projeto de reforma do Morumbi "absolutamente aderente às exigências da Fifa, suportado por um plano de viabilidade financeira ratificado pelo Comitê Paulista e apoiado em seguras garantias oferecidas pela iniciativa privada".

No ponto a que chegou a questão não importa mais saber quem tem ou não razão, e em que medida, até porque seria muito difícil determinar a responsabilidade de cada um nesse cipoal de rivalidades e disputas de poder e influência que é a relação dos clubes de futebol entre si e com a CBF e a Fifa. Rivalidades e disputas que crescem à medida que o futebol se transforma num negócio bilionário. Infelizmente, isto é o máximo que se pode obter como resposta à pergunta sobre como e por que se criou esse imbróglio.

O que de fato importa é saber se existe uma solução para não deixar São Paulo fora da Copa. Ideias não faltam: reformar e adaptar às exigências da Fifa os Estádios do Pacaembu e do Palmeiras, construir um novo estádio do Corinthians, em Itaquera ou em Pirituba, cujo projeto, de custo total de R$ 700 milhões, já teria financiamento certo de R$ 400 milhões do BNDES.

Todos esses projetos esbarram na pergunta decisiva ? quem vai investir neles, pagar a conta? Sobre o projeto alternativo ao Morumbi ? qualquer que seja ele ? e sua viabilização, Ricardo Teixeira diz que "esse é um assunto pertinente às autoridades públicas de São Paulo". Ele está completamente enganado, como já fizeram questão de esclarecer a Prefeitura da capital e o governo do Estado. Esta é uma posição correta, da qual ambos não devem se afastar, apesar das fortes pressões que certamente sofrerão. Os governos municipal e estadual têm coisas muito mais importantes para investir dinheiro público do que em um estádio de futebol como o que se deseja ? que custa centenas de milhões e depois da Copa tem tudo para se tornar um elefante branco, fonte de prejuízo permanente.

O senhor Teixeira e outros dirigentes esportivos devem procurar a iniciativa privada para resolver o problema que criaram.

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