São Paulo puxou a indústria para baixo

Mau resultado foi influenciado pelo setor de derivados de petróleo e biocombustíveis, afetado pela interrupção das atividades da Refinaria de Paulínia

O Estado de S.Paulo

12 Outubro 2018 | 04h00

Responsável por um terço da produção industrial brasileira, o Estado de São Paulo registrou queda de 0,9% da produção entre julho e agosto, provocando recuo de 0,3% da indústria brasileira no período. O mau resultado foi influenciado pelo setor de derivados de petróleo e biocombustíveis, afetado pela interrupção das atividades da Refinaria de Paulínia (Replan), que responde por cerca de 20% do refino brasileiro e foi atingida por um incêndio.

São Paulo teve a “maior influência negativa sobre o total nacional”, notou o analista do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) Bernardo Almeida. Foi o segundo mês consecutivo de queda da produção paulista, que havia recuado 1,2% entre junho e julho.

Não fossem os resultados de São Paulo, o desempenho da indústria nacional teria sido melhor. Dos 15 locais analisados pela Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física Regional, do IBGE, 9 apresentaram dados positivos e 6 registraram quedas.

Outras regiões com indústria forte também apresentaram perdas, como Rio de Janeiro (-0,3%) e Santa Catarina (-0,7%). Os avanços da indústria de Minas Gerais (+0,5%) e do Paraná (+0,7%) apenas atenuaram as quedas.

Segundo o IBGE, passou o efeito negativo da greve dos transportadores, mas a paralisação afetou as expectativas. As decisões sobre investimento e aumento da produção se tornaram “mais cautelosas”. A definição da política econômica do novo governo, no final deste mês, deverá permitir uma redução das incertezas.

Na comparação entre os primeiros oito meses de 2017 e de 2018, destacou-se o crescimento da indústria nos Estados do Amazonas, Pará, Pernambuco, Santa Catarina, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul. Todos avançaram acima da média nacional, de 2,5% no período.

Os resultados mais positivos vieram da produção de bens de capital, mas também de bens intermediários e bens de consumo duráveis.

Trata-se de uma recuperação lenta da atividade industrial, que dependerá do Sudeste para se consolidar. Essa hipótese será mais viável com a retomada da indústria paulista, mas esta também mostra pouco dinamismo em ramos como alimentos, vestuário, produtos de limpeza e bebidas, que refletem o consumo de massa.

Mais conteúdo sobre:
Editorial Econômico Replan economia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.