Saúde financeira de empresas e famílias melhora

Os números não podem ainda ser considerados satisfatórios, mas a sinalização é clara

O Estado de S.Paulo

15 Setembro 2017 | 03h10

Tanto consumidores como empresas parecem recuperar, aos poucos, a saúde financeira, indicam pesquisas da Boa Vista SCPC da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). São indicadores importantes para antecipar o comportamento do varejo e do crédito nos próximos meses, pois, na medida em que os agentes econômicos recompõem suas finanças, adquirem condições mais favoráveis para tomar crédito, no caso das empresas, ou consumir, no caso das famílias.

Os números não podem ainda ser considerados satisfatórios, mas a sinalização é clara. A inadimplência do consumidor, medida pela quantidade de dívidas vencidas e não pagas informada ao serviço de proteção ao crédito, caiu 3,1% entre julho e agosto, 2,1% entre os últimos 12 meses até agosto, comparativamente aos 12 meses anteriores, e 1% entre os primeiros oito meses de 2016 e de 2017. Na avaliação em 12 meses, a situação dos consumidores é melhor nas Regiões Sudeste, Nordeste e Norte e pior na Sul e na Centro-Oeste. O que melhor explica os dados é a cautela das famílias, que evitam dívidas.

Pesquisas com as empresas, simultâneas às realizadas com os consumidores, mostraram que nos últimos 12 meses, até agosto, comparativamente aos 12 meses anteriores, os pedidos de falência diminuíram 10,2% e os de recuperação judicial caíram 8,4%. Nas mesmas bases de comparação, o número de falências decretadas aumentou 6,9%, mas isto se explica pela defasagem que existe entre os pedidos e a decretação de falência. Outros indicadores se mostraram bastante favoráveis, caso da diminuição de 27% do número de pedidos de falência entre agosto de 2016 e agosto de 2017.

A recuperação da saúde financeira dos agentes econômicos é paulatina. As empresas passaram por dificuldades nos últimos anos e usaram reservas financeiras para evitar a insolvência. As famílias também apertaram os cintos, mas nem sempre foi o bastante. Pesquisa da CNDL revelou que, embora o número de pessoas com dívidas em atraso tenha caído ininterruptamente nos últimos seis meses, em agosto ainda havia 59,1 milhões de pessoas nessa condição. Positivo é o fato de que a inadimplência caiu mais no varejo, setor que lidera a retomada. O ajuste de famílias e empresas abre perspectivas promissoras para o final do ano e para 2018.

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