Segurança na Paulista

As medidas que estão sendo tomadas para melhorar o policiamento na Avenida Paulista são bem-vindas e poderiam ser ainda mais eficientes, se incorporassem algumas das lições deixadas pelo sistema de segurança que funcionou ali durante alguns anos, a partir de 2002, fruto da cooperação da Polícia Militar (PM) e um grupo de empresários da região, reunidos na Associação Paulista Viva. A avenida-símbolo de São Paulo viveu então um de seus melhores momentos, fruto de uma experiência que não perdeu nada de seu vigor e atualidade e cujo abandono só trouxe prejuízo à população de 1,5 milhão de pessoas que passam diariamente pela Paulista.

O Estado de S.Paulo

18 Maio 2013 | 02h08

Será aumentado de 140 para 201 o número de policiais do 7.º Batalhão da PM, que cuida da segurança da Paulista, adjacências e parte dos Jardins (até a Avenida Brasil). Um grupo especial de 80 policiais vai cuidar só da Paulista.

Eles foram treinados para lidar com as características da diversificada população que a frequenta. Por ocasião dos grandes eventos e manifestações que ocorrem ali, "vamos deslocar um efetivo maior e ajustar as operações de acordo com a demanda", diz o chefe do Comando de Policiamento da Capital, coronel Leonardo Torres Ribeiro.

Outra mudança é a centralização no 78.º Distrito Policial, na Rua Estados Unidos, do registro dos crimes ocorridos na Paulista. Antes, o registro tinha de ser feito num dos quatro Distritos Policiais da região, de acordo com o trecho da avenida em que o crime ocorreu. Isso vai facilitar o atendimento de quem quer apresentar qualquer tipo de queixa e deve também dar maior rapidez às investigações.

Como a Associação Paulista Viva participou do treinamento daquele grupo especial de policiais, oferecendo palestras de especialistas em temas de interesse deles, essa seria uma boa ocasião para o poder público voltar a ampliar a colaboração com essa entidade, que só deu bons frutos até poucos anos atrás.

Em 2001, os empresários que haviam fundado a associação, no final dos anos 1980, para ajudar a recuperar a Paulista, fizeram uma consulta para saber quais eram as principais reivindicações da população que mora na avenida e imediações ou a frequenta diariamente a trabalho. Foram apontadas melhorias na segurança, no estado das calçadas e no trânsito.

Tudo indica que uma nova consulta elegeria as mesmas prioridades, com a possível exceção das calçadas, que foram reformadas. Naqueles três casos a associação contribuiu de uma forma ou outra, com destaque para a segurança.

A Paulista Viva custeou a compra e instalação de 33 guaritas ao longo da avenida. No alto delas, com boa visão, policiais militares controlavam a ação dos assaltantes, alertando os seus colegas que patrulhavam a avenida. Instalado em 2002, um ano depois esse sistema de policiamento havia conseguido reduzir em 70% o índice de criminalidade na Paulista e arredores. Em consequência desse clima de segurança, os imóveis tiveram valorização média de 75%.

Infelizmente, apesar desse excelente desempenho, o sistema começou a minguar pouco tempo depois e hoje restam apenas 23 daquelas guaritas. E mesmo essas são ocupadas pelos policiais por muito menos tempo do que antes. Por que não considerar a possibilidade de reativar esse sistema, já que ele deu tão certo numa situação que mudou pouco, se é que mudou, desde então? Essa medida pode ser perfeitamente harmonizada - e com vantagem - com as mudanças em curso.

E, se a Prefeitura e o governo do Estado querem mesmo melhorar a situação da Paulista, eles deveriam, cada um na sua esfera de competência, pôr um fim definitivo às manifestações que, a qualquer pretexto, paralisam essa via, com repercussão no trânsito de toda a vizinhança.

Sem falar no bloqueio do acesso a uma dezena de hospitais da região. Nada, rigorosamente nada, justifica também tolerar a realização de assembleias no vão livre do Masp, que, além dos transtornos que causam, ainda podem comprometer a estrutura do edifício.

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