Serviços estão estagnados desde abril

Um dos únicos indicadores positivos é que o resultado de setembro 'de alguma forma encerra o período de grande volatilidade'

O Estado de S.Paulo

16 Novembro 2018 | 05h26

O volume de serviços prestados no País registrou em setembro patamar idêntico ao de abril, segundo o gerente de Coordenação de Serviços e Comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Rodrigo Lobo. Na comparação entre setembro de 2017 e de 2018, há sinais de pequena evolução, mas nos últimos meses predominou a volatilidade provocada pela greve dos transportadores, em maio. Um dos únicos indicadores positivos é que o resultado de setembro “de alguma forma encerra o período de grande volatilidade”, enfatizou Lobo.

Entre agosto e setembro, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE, houve leve variação negativa de 0,3% na série com ajuste sazonal. Na comparação com setembro de 2017, o volume de serviços cresceu 0,5%, mas o avanço da receita nominal foi de apenas 3,2%, porcentual inferior à inflação do período.

O comportamento do setor de serviços acompanhou o da indústria e do comércio varejista, segmentos determinantes da evolução dos serviços. É diferente o que ocorre em países desenvolvidos, em que inúmeros serviços, como os de turismo, têm vida própria. O peso dos serviços no Produto Interno Bruto (PIB) do País é da ordem de 70%.

A evolução insatisfatória dos serviços é generalizada. Entre setembro de 2017 e setembro de 2018, apenas 41% dos tipos de serviços apresentaram crescimento, porcentual muito inferior ao de 47% registrado em agosto, segundo a PMS.

Com forte peso no levantamento do IBGE, o setor de transportes liderou as quedas de setembro. Caíram os serviços de transporte aéreo, aquaviário e terrestre, refletindo a baixa movimentação de bens. Também caíram os itens serviços profissionais, administrativos e complementares e outros serviços. A queda não foi compensada pela melhora dos serviços prestados às famílias, que cresceram 1,4%.

O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) destaca a fraqueza dos serviços corporativos, o que “sugere uma situação ainda muito complicada das empresas no País, afetando sua demanda tanto de serviços de maior qualificação como daqueles auxiliares, em geral terceirizados”. Os técnicos do IBGE esperam que o aumento da confiança na economia favoreça a recuperação dos serviços no último trimestre.

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