Serviços mostram economia em marcha lenta

Entre setembro e outubro, o crescimento do setor foi de apenas 0,1%

O Estado de S.Paulo

19 Dezembro 2018 | 04h00

O crescimento do volume de serviços prestados na economia foi de apenas 0,1% entre setembro e outubro, mostrando que o setor – que responde pela geração de cerca de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) – continua marcado pela baixa atividade. O resultado teria sido pior não fosse a alta de 0,5% dos serviços de informação e comunicação em geral e, em especial, dos segmentos de tecnologia da informação, além do item outros serviços, que avançou 5,5%.

Em grande medida, o setor de serviços depende, no Brasil, da atividade da indústria e do comércio, cujos resultados relativos a outubro já são conhecidos e foram insatisfatórios. A Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) retrata bem a retomada lenta dos serviços.

Entre setembro e outubro, resultados negativos vieram dos serviços profissionais, administrativos e complementares (-1,9%), serviços prestados às famílias (-1%) e transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (-0,2%).

Em igual período, as receitas nominais do setor ficaram estáveis. São pouco expressivos os crescimentos de 4,2% das receitas entre outubro de 2017 e outubro de 2018, de 2,5% entre os primeiros 10 meses do ano passado e deste ano e de 2,9% nos últimos 12 meses, até outubro, comparados aos 12 meses anteriores. Afinal, trata-se de aumentos próximos ou até inferiores à inflação oficial.

Entre setembro e outubro, somente 11 das 27 unidades da Federação pesquisadas pelo IBGE registraram expansão do setor. Não houve crescimento nem em São Paulo nem no Rio de Janeiro, os dois Estados mais importantes e que respondem por 57% do volume total de serviços do País. A comparação entre os meses de outubro de 2017 e outubro de 2018 é algo melhor, pois 15 Estados mostraram avanço, com destaque para Maranhão, Amazonas, Santa Catarina, São Paulo, Piauí e Pernambuco.

De modo geral, a evolução dos serviços foi ruim ao longo de 2018, só se podendo falar em ligeira melhora nos indicadores mais recentes. Os dados de outubro são um sinal positivo para o emprego, pois o setor é o maior demandante de mão de obra do País. Mas os empregos gerados por empresas de serviços são, em média, de pior qualidade do que os da indústria. Há, ademais, um elevado grau de informalidade na atividade de serviços.

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