Setor de serviços tem lenta melhora

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O Estado de S.Paulo

23 Fevereiro 2017 | 03h05

A melhora no setor de serviços está longe de configurar uma tendência. Nos últimos meses de 2016, o volume de serviços prestados mostrou ligeiro crescimento: 0,2% em novembro em relação a outubro e 0,6% em dezembro em relação a novembro. No ano passado, porém, segundo números divulgados pelo IBGE, o setor apresentou queda de 5,0% com ajuste sazonal, a maior perda já registrada pela série histórica iniciada em 2012.

O desempenho do setor de serviços deve dar a tônica do nível de recuperação de atividade econômica em 2017. Isto porque, como mostraram levantamentos feitos há dois anos, os serviços vêm ganhando importância cada vez maior na economia brasileira, chegando a representar quase 70% do Produto Interno Bruto (PIB), com poderoso impacto sobre os níveis de emprego.

Muito, porém, vai depender da evolução do crescimento industrial, que influi decisivamente sobre o segmento de transporte de cargas, com grande peso no setor de serviços. Prova disso é que a ativação da indústria no fim do ano passado já se fez sentir no item transportes e serviços auxiliares, que registrou uma alta de 0,4% em dezembro, em comparação com o mês anterior. Espera-se também que o transporte de cargas venha a ser ainda mais movimentado nos próximos meses com a safra recorde de grãos, a maior parte destinada à exportação.

Já o segmento de serviços prestados às famílias, que teve elevação de 2% em dezembro, sempre em comparação com novembro, tem tido um comportamento irregular. Pressionadas pelo desemprego e diminuição de renda, muitas famílias têm prescindido de serviços não essenciais. Essa situação pode ir progressivamente se alterando à medida que o emprego comece a reagir, o que só se espera que ocorra no segundo semestre. Até lá, medidas pontuais, como saques de contas inativas do FGTS, podem dar uma ajuda.

A queda da renda das famílias afetou os serviços de informação e comunicação (-1,7%), serviços profissionais e administrativos(-1,3%) e outros serviços (-1,2%). Se a atividade econômica der sinais firmes de recuperação até o fim do ano, o setor de serviços poderá fechar 2017 no terreno positivo.

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