Sinais de recuperação

Há sinais positivos na economia brasileira, depois de um ano muito difícil para a indústria de transformação, severamente afetada pela crise internacional e por uma forte concorrência, nem sempre leal, dos produtores estrangeiros. Em fevereiro, a confiança do empresário industrial aumentou pelo segundo mês consecutivo, segundo pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O índice é menor que o de um ano antes, mas aponta uma nítida melhora das expectativas. Essa mudança de humor parece combinar com outros dados animadores divulgados recentemente por várias fontes.

O Estado de S.Paulo

19 Fevereiro 2012 | 03h07

A economia brasileira terá crescido 2,79% no ano passado, se estiver correto o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) do Banco Central (BC), calculado mensalmente e considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), divulgado a cada três meses pelo IBGE. A imprensa destacou esse número, comparando-o com estimativas pouco mais otimistas do Ministério da Fazenda. Estas estimativas apontam uma expansão de até 3,2% no ano passado. Mas o dado mais importante para efeitos práticos, neste momento, não é o resultado geral da atividade econômica em 2011, e, sim, a tendência recente da economia.

Dessa perspectiva, os números recém-anunciados pelo BC ganham outro significado. Em dezembro, o IBC-Br aumentou 0,57% em relação ao mês anterior. Em novembro, havia aumentado 1,29% em relação a outubro. São variações importantes e parecem revelar - se nenhuma surpresa ocorrer - uma firme recuperação dos negócios depois da estagnação no terceiro trimestre. Além disso, o nível de atividade em dezembro, segundo a série numérica do BC, foi maior que o de março, quando se esgotou o impulso de crescimento observado a partir do primeiro trimestre de 2011.

Outros indicadores parecem confirmar uma reanimação da economia, quando se considera a tendência recente. Em janeiro, o desemprego chegou a 5,5% nas seis regiões metropolitanas cobertas pela pesquisa do IBGE. Foi superior ao de dezembro, de 4,7%, mas foi o mais baixo para o mês nos últimos dez anos.

Além disso, o poder de compra dos trabalhadores continua elevado. A massa de rendimento real habitual dos ocupados foi 0,5% menor que a de dezembro, mas foi 3,6% maior que a de um ano antes. O aumento nominal de 14% para o salário mínimo deve sustentar esse poder de compra nos próximos meses, se a inflação continuar em níveis toleráveis.

O prometido corte de R$ 55 bilhões do Orçamento-Geral da União será em parte mero corte de vento. O governo continuará gastando sem grandes restrições e isso contribuirá para manter a demanda no mercado interno. O resultado será melhor, ainda, se o governo exibir maior competência gerencial e conseguir apressar a execução de seus investimentos.

Do lado monetário, não se espera nenhum novo aperto nos próximos meses. Ao contrário: o mais provável será mais alguma redução dos juros básicos. Isso poderá acrescentar algum estímulo aos negócios. Dificilmente se poderá evitar uma alta de juros no fim do ano ou no começo do próximo, se a inflação evoluir de acordo com as previsões do mercado financeiro, mas, por algum tempo ainda, a política do BC atenderá às reivindicações do empresariado.

Sobram grandes incertezas do lado externo, por causa da estagnação econômica na Europa e da possível desaceleração na China. Uma redução dos preços dos produtos básicos poderá criar problemas sérios para o Brasil, mas o prognóstico sobre as cotações poderá não se confirmar.

Do lado interno, a demanda deverá continuar vigorosa, pelo menos por alguns meses, graças ao aumento real de salários registrado até agora e à continuação dos gastos do governo.

Nada exime o governo federal de adotar ações mais sérias, em todos os campos, para facilitar a atividade industrial. Os empresários do setor mostram-se mais animados quanto às perspectivas, mas nada podem fazer para eliminar entraves importantes à sua atividade. O governo tem prometido novos estímulos à indústria. Que venham logo e sejam mais sérios que aqueles concedidos até agora.

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