Situação mundial ajuda a conta externa

Nos dois primeiros meses do ano o déficit das transações correntes do balanço de pagamentos ficou em US$ 3,344 bilhões. No mesmo período do ano passado, esse déficit foi de US$ 5,910 bilhões. Essa queda levou o Banco Central (BC) a reduzir sua previsão para o déficit das transações correntes de 2009, de US$ 25 bilhões para US$ 16 bilhões, no relatório sobre as contas externas - uma previsão significativamente menor em apenas um mês.Isso nos leva a considerar, como faz o BC, que a crise internacional tem contribuído para melhorar as perspectivas das contas externas. Por exemplo, a previsão para o saldo da balança comercial passou de US$ 14 bilhões para US$ 17 bilhões, que parece justificada, pois nos dois primeiros meses a balança comercial apresentou redução de 29,8%. Melhorou, ao que parece, em março, e a previsão para o ano é de uma redução de 31%.A melhor previsão agora é para o item "serviço e renda" : o déficit de US$ 57,2 bilhões de 2008 deve cair para US$ 36 bilhões neste ano. Nos dois primeiros meses do ano já houve uma queda de 38%, fácil de entender, pois menor volume do comércio exterior representa menos gastos com frete. A crise internacional também reduz as remessas de lucros e dividendos: 56% menos, nos dois primeiros meses. A queda no pagamento de juros foi menor por causa do saldo da dívida externa, malgrado uma captação de recursos também menor, o que parece se prolongar em março, mês de grande saída em tempos normais.Em compensação, pode se imaginar que a conta financeira, que inclui tanto os investimentos como a captação de empréstimos externos, poderá acusar forte redução, que já foi muito grande nos dois primeiros meses do ano: US$ 842 milhões, ante US$ 14,583 bilhões para o mesmo período do ano passado. Uma primeira explicação é que a taxa de rolagem dos empréstimos de médio e de longo prazos, de 50% em janeiro, melhorou em fevereiro (63%), mas voltou a cair em março (44% até o dia 20). Isso mostra que a crise financeira, até agora, não foi superada.Embora os investimentos em ações continuem caindo, a surpresa agradável é que os Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) se mantêm elevados:para participação no capital de empresas, os ingressos em fevereiro foram de US$ 1,059 bilhão contra US$ 1,496 bilhão no mesmo mês de 2008, sinal de confiança em nossa economia.

, O Estadao de S.Paulo

25 de março de 2009 | 00h00

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