Sobem as apostas na retomada

Mais uma fonte especializada, a FGV, indica recuperação

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18 Maio 2017 | 03h05

Mais uma fonte especializada, a Fundação Getúlio Vargas (FGV), indica a recuperação da economia brasileira a partir do primeiro trimestre. Segundo a nova informação, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1,19% no período entre janeiro e março, depois de oito trimestres consecutivos de retração. O fim da recessão já havia sido apontado pelo Banco Central (BC), com a divulgação, no começo da semana, de seu Índice de Nível de Atividade (IBC-Br). Esse indicador subiu 1,12% em relação aos três meses finais do ano passado. Uma terceira instituição, a Serasa Experian, também estimou um começo de reação, com um PIB 0,9% maior que o do período de outubro a dezembro de 2016. Embora diferentes, os três números transmitem basicamente a mesma informação: o País está deixando o atoleiro onde afundou, há mais de dois anos, por causa das políticas erradas e irresponsáveis da gestão petista.

É difícil imaginar um cenário muito diferente quando for publicada, no começo de junho, a atualização das contas nacionais produzidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ninguém deve esperar um balanço muito melhor que o antecipado pelos especialistas do BC e das instituições independentes, mas um discreto resultado positivo parece garantido.

O Monitor do PIB, construído pela FGV, indica um avanço na passagem do trimestre final de 2016 para o primeiro de 2017 e um minúsculo crescimento, de 0,04%, de fevereiro para março. Também as comparações do período de janeiro a março deste ano com o do ano passado mostram uma retomada inicial ainda muito lenta.

De acordo com o Monitor, o consumo das famílias foi 2,1% menor que nos primeiros três meses de 2016. Mas os números têm melhorado seguidamente nesse tipo de comparação, desde o começo do ano passado. O investimento produtivo, medido pela formação bruta de capital fixo, foi 4,2% inferior ao de um ano antes, no mesmo tipo de confronto trimestral. Mas uma distinção interessante aparece, quando se decompõe esse indicador.

Houve aumento de 2,8% no componente máquinas e equipamentos e um recuo de 4,5% no da construção. Este recuo deve ser explicável pela queda do investimento em infraestrutura e pela paralisação das obras habitacionais. O detalhe é especialmente importante.

O governo dará um impulso relevante à recuperação das atividades e à geração de empregos, nos próximos meses, se conseguir movimentar novamente o programa de obras públicas e de construção de residências. No primeiro caso, será preciso conduzir com mais agilidade os leilões de contratos, tanto para os setores de transportes e eletricidade como para o do petróleo. No segundo, apressar a reativação dos programas habitacionais. Um bom passo já foi dado com a recente criação de uma faixa de financiamento para imóveis de classe média.

O investimento em construção, tanto habitacional como de infraestrutura, tem um poderoso efeito multiplicador, porque estimula a produção em grande número de indústrias, como as de produtos de aço, alumínio, cobre, vidro, plásticos e madeira, assim como nas fábricas de tintas e de cerâmicas, mas ainda se poderia alongar essa lista. Embora as construtoras também operem com tecnologias novas e poupadoras de mão de obra, sua atividade ainda pode gerar muitos empregos.

Além do Monitor do PIB, a FGV divulgou os indicadores antecedentes e coincidentes da economia. O primeiro baixou 0,4% de março para abril; o segundo, 0,1%. Mas suas variações semestrais continuaram positivas por três meses consecutivos. O indicador antecedente foi afetado pela piora em três de seus oito componentes. Declinaram os índices de expectativas do consumidor e do setor de serviços e também o de termos de troca do comércio exterior. As tendências de longo prazo dos indicadores ainda apontam, no entanto, para recuperação da atividade, segundo o pesquisador Paulo Picchetti, da FGV. Ele ainda ressalvou: as oscilações indicam as dificuldades da retomada ainda lenta.

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