Sofrimento dos paulistanos

Espera para atendimento de serviços pelo 156 é de, em média, 196 dias

O Estado de S.Paulo

12 Setembro 2018 | 03h00

Os paulistanos não sofrem apenas as consequências do mau funcionamento de serviços municipais que afetam seu dia a dia, tais como – para ficar só em dois exemplos bem conhecidos – os que cuidam de tapar buracos nas ruas e da poda de árvores. Como se isso não bastasse, eles têm de sofrer também com o longo tempo de espera para consertar o que não foi feito como deveria, depois de apresentar suas solicitações por telefone (número 156). A espera em média chega a 196 dias, ou mais de seis meses, no caso dos cinco serviços mais solicitados, como mostrou reportagem do Estado.

No ano passado, o número de pedidos desse tipo feitos pelo 156 foi de 392,7 mil no primeiro semestre e 340,5 mil no segundo. Nos primeiros seis meses do ano eles são mais numerosos por causa das chuvas (reclamações sobre acúmulo de águas em ruas, queda de árvores e buracos, por exemplo). Neste ano, o número do primeiro semestre foi um pouco inferior (380 mil), mas isso não afetou o tempo de espera para solução dos problemas apontados. A demora continua a aumentar e, com ela, os aborrecimentos dos paulistanos. Para tapar um buraco é preciso esperar em média 45 dias e para a poda de árvores, 120 dias.

A Prefeitura atribui a desmesurada espera ao acúmulo de pedidos registrados nos últimos anos, aos quais deve dar prioridade no atendimento, mas que retarda os mais recentes. Alega que a situação começou a melhorar, porque o volume total de queixas (as do passado e as que continuam a ser feitas) foi reduzido em 30,5% desde janeiro de 2017. Houve avanço, mas pequeno, como demonstra o tempo médio de demora de seis meses. Mais modestas ainda são as metas fixadas para atender às queixas com maior presteza.

A Prefeitura pretende reduzir a demora média de 196 dias para 80 dias, ou 59,1%, um progresso razoável, se for de fato conseguido. Mas a meta para o fim da gestão do prefeito Bruno Covas é decepcionante – 70 dias. Mais de dois meses, em média, para resolver problemas como os constantes daquelas queixas é muito tempo. Submeter a esse castigo o paulistano que pede à Prefeitura providências para corrigir o que ela mesma não fez como deveria chega a ser um acinte.

A Prefeitura promete adotar uma série de medidas para atender melhor os paulistanos justamente queixosos. Até 2019, vai criar canais de atendimento do 156 pelo Facebook e Twitter e, ainda neste semestre, pretende lançar uma versão do aplicativo para uso exclusivo dos funcionários. Uma versão piloto já está em fase de teste em alguns órgãos da administração, “facilitando a rotina dos servidores que atuam nas ruas”. Ainda em 2018, será lançada a Política de Atendimento ao Cidadão com o objetivo de estabelecer um “padrão de excelência na prestação dos serviços públicos”.

Mas tudo isso para que o tempo médio de solução dos problemas apresentados seja de 70 dias até o término do atual governo? É inaceitável que, além de deixar a grande maioria das vias públicas em estado lastimável, a Prefeitura ainda demore para tapar os buracos, ou seja, para fazer apenas um remendo. E não adianta dizer que herdou uma situação que vem se agravando ano a ano. É verdade, mas a população também tem o direito de esperar que o atual governo, num prazo razoável – até o fim da gestão, por exemplo –, chegue a um resultado bem melhor do que o prometido. É para corrigir o que está errado que os governos são eleitos.

Enquanto eles não fazem isso a contento, a população busca formas de forçá-los a ser mais ágeis. Uma delas, como mostra a reportagem, é expor as queixas nas redes socais, em geral depois de ter apelado sem sucesso para o 156. Como explica um dos que assim procederam, “a dinâmica é diferente quando publica (o pedido) na página do prefeito ou quando apenas solicita no 156”. Colocada pessoalmente e publicamente em questão nas redes sociais, com boa repercussão, a autoridade reage depressa. Será bom se a disseminação dessa prática forçar os governantes a cumprirem com mais eficiência e presteza sua obrigação.

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