Superávit cresce, mesmo com o aumento das importações

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O Estado de S.Paulo

04 Março 2017 | 03h09

Os resultados da balança comercial em fevereiro são auspiciosos não apenas pelos valores recordes, mas, sobretudo, porque, pela primeira vez desde setembro de 2014 – quando já eram visíveis os sinais da recessão na qual o País continua mergulhado –, as importações cresceram. É um indicador de que, depois de pelo menos dois anos e meio de retração, as empresas brasileiras voltam a demandar bens importados utilizados em seu processo produtivo.

O relatório do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) mostra que em fevereiro aumentaram as importações de produtos agrícolas – como adubos e fertilizantes – e de bens intermediários utilizados na produção industrial, além de combustíveis e insumos.

O aumento foi de 11,8% na comparação com fevereiro de 2016. Para o secretário de Comércio Exterior do MDIC, Abrão Neto, esses dados compõem um “forte sinal” de retomada da atividade econômica. Será preciso esperar os próximos dados sobre a produção para se ter a confirmação dessa retomada.

Outros resultados da balança

comercial em fevereiro e nos primeiros dois meses do ano são igual-

mente alentadores. O superávit comercial no mês passado alcançou US$ 4,560 bilhões, recorde para fevereiro, com US$ 15,472 bilhões em exportações e US$ 10,912 bilhões em importações. No ano, o saldo acumulado é de US$ 7,385 bilhões, também um recorde.

O desempenho da balança comercial em fevereiro foi assegurado pelo aumento do preço dos produtos exportados, em particular das commodities, pois em quantidade o total vendido para o exterior no primeiro bimestre deste ano foi 0,9% menor do que no igual período de 2016. Em valor cresceram as exportações para praticamente todos os destinos.

Se as projeções predominantes

no mercado se confirmarem, as importações continuarão crescendo até o fim do ano. Já as exportações, apesar da recuperação dos preços dos principais produtos vendidos pelo Brasil, podem ser afetadas pela taxa de câmbio desfavorável. O problema será particularmente notado no caso dos produtos industriais, já prejudicados pelos altos custos de produção no País.

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