Tensões globais afetam preços do petróleo

Alta dos preços começou em março devido a tensões geopolíticas relacionadas ao Irã

O Estado de S.Paulo

19 Abril 2018 | 04h00

As cotações do petróleo tipo Brent superaram US$ 72 o barril na segunda semana de abril e poderão permanecer em nível superior ao previsto há algum tempo pela Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), que faz parte da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). São vários, segundo o Relatório do Mercado de Petróleo da IEA de abril, os fatores que pressionam o mercado de petróleo e provocam forte volatilidade dos preços. E entre esses fatores ainda não se incluía o bombardeio a alvos na Síria dirigido por Estados Unidos, Grã-Bretanha e França, ocorrido pouco antes da divulgação do relatório e que impôs novos riscos à estabilidade no Oriente Médio.

A alta dos preços do petróleo começou, modestamente, em março, devido a “tensões geopolíticas, particularmente relacionadas com possíveis sanções sobre o Irã, com a possibilidade de interrupções na oferta”, segundo o relatório. Manteve-se com o corte da produção da Venezuela e a diminuição da oferta de petróleo dos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), que provocou um “impacto substancial” nos estoques da commodity nos países da OCDE.

Não bastassem esses fatores, políticas comerciais protecionistas adotadas nos Estados Unidos pelo governo Trump poderão afetar a economia global e os preços do petróleo e seus derivados. A “escalada das tensões globais” foi citada em recente estudo da OCDE, que incluía entre os principais riscos o do agravamento de disputas comerciais entre as maiores economias (EUA e China), com a ameaça de frustração do comércio e do produto bruto global.

Como grande produtor de petróleo, o Brasil está em boa posição e é pouco afetado pela situação geopolítica. A produção brasileira caiu no início de 2018 com o declínio da extração em áreas maduras e manutenção de plataformas, mas o crescimento previsto para 2018 é expressivo.

Os preços altos do óleo ajudam a Petrobrás, mas são ruins para os consumidores, que pagam mais pelos combustíveis, cujos preços nas bombas subiram 10,5% no primeiro bimestre, segundo a Tendências Consultoria, e continuam em alta. As tensões globais chegam, assim, às famílias, às voltas com a lenta recuperação do emprego e da renda constatada nos indicadores de comércio e serviços.

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