Tesouro age para atenuar pressões sobre a dívida

O adiamento de leilões previstos para a penúltima semana de maio mostrou que os gestores da dívida evitam testar o mercado em momento de incertezas, enquanto oferecem liquidez a investidores que querem sair

O Estado de S.Paulo

26 Maio 2017 | 03h07

A situação da dívida federal em títulos era muito favorável em abril, com queda de custo e maior presença de investidores estrangeiros, segundo o Relatório Mensal da Dívida Pública Federal divulgado há dias. Mais do que isso, a agilidade dos responsáveis pela administração da dívida após a eclosão da crise política poderá permitir que o Tesouro supere o desafio de manter a dívida em equilíbrio – ou com danos de pequena monta –, dadas as condições macroeconômicas favoráveis. O adiamento de leilões previstos para a penúltima semana de maio mostrou que os gestores da dívida evitam testar o mercado em momento de incertezas, enquanto oferecem liquidez a investidores que querem sair.

Em abril, as emissões de dívida de R$ 62 bilhões foram inferiores aos resgates de R$ 75 bilhões e o estoque só apresentou pequena alta de 0,32% – atingindo R$ 3,244 trilhões – por causa dos juros que se incorporam mensalmente ao saldo total e da “desvalorização do real frente às principais moedas que compõem o estoque da dívida externa”, segundo o relatório.

Desde meados de maio, o Tesouro tem tido ampla atuação no mercado de títulos públicos, acalmando investidores, num primeiro momento, e buscando reconquistar, no segundo instante, as condições favoráveis que havia antes da crise.

Há condições propícias para isso, por exemplo o colchão de reservas do Tesouro e a rentabilidade atrativa dos papéis federais. Com a queda da inflação (o IPCA-15 registrou variação de apenas 3,77% em 12 meses, muito abaixo da meta), o juro real das aplicações em moeda nacional, mesmo em queda, continua atraente.

O custo médio da dívida caiu de 11,46% ao ano em março para 10,39% ao ano em abril. Em 12 meses, até abril, o custo médio foi de 11,57% ao ano, ante 14,25% ao ano nos 12 meses anteriores, com alívio para as contas públicas.

Os estrangeiros elevaram a participação na dívida interna de 13,3% em março para 13,6% em abril – mais R$ 12,9 bilhões, chegando ao total de R$ 425,6 bilhões. Fundos de pensão e mútuos também ampliaram aplicações, enquanto instituições financeiras reduziram seu peso de 22,7% para 21,8%, de R$ 706,9 bilhões para R$ 683 bilhões. Mesmo em fases de crise política, como em 2016, investidores globais mantiveram posições altas em títulos brasileiros. Espera-se que repitam agora essa decisão.

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