Trânsito e carros quebrados

No mês passado, segundo a Companhia de Engenharia de Trânsito (CET), o número de carros quebrados nas ruas de São Paulo, atravancando o trânsito, bateu um recorde. Foram removidos 12.295 veículos ao longo do mês, e 72% eram de carros de passeio: 47,2% por causa de panes mecânicas, 18,1% por panes elétricas, 27,8% por defeitos não identificados e 6,9% por pneus furados ou falta de combustível. Como se vê, as panes mecânicas e elétricas, a maior parte delas devido à negligência na manutenção do veículo, respondem por quase 70% das quebras. Esse registro não inclui as remoções feitas por empresas seguradoras nem aquelas providenciadas pelos proprietários. Portanto, a realidade é bem pior do que sugere a estatística da CET. O crescimento e o envelhecimento da frota somados à negligência com a manutenção dos veículos são as principais causas do aumento de 26,8% no número de carros quebrados nas ruas, verificado nos últimos dois anos. E que se reflete no aumento dos congestionamentos. Na última quarta-feira, mais um recorde: às 9 horas, boa parte dos paulistanos enfrentou um congestionamento de 168 quilômetros. O recorde anterior, de 155 quilômetros, foi registrado em fevereiro, logo após a volta às aulas. Cada veículo parado por 15 minutos num dos corredores de tráfego intenso de São Paulo provoca, em média, 3 quilômetros de congestionamento. Mas esta é uma parte do problema. A outra é a constante ameaça de acidentes representada por boa parte da frota rodando sem condições de segurança e que, além de desperdiçar combustíveis, cria riscos para a saúde pública com o aumento da poluição. Pesquisa realizada a pedido do setor de autopeças sobre as causas de 2 mil acidentes, tomados como amostra, revelou que 72% dos veículos tinham problemas no sistema de freios; 39%, no sistema de direção, malconservado; e 22% apresentavam pneus em estado precário. Embora esse estudo tenha sido feito em 2002, seus resultados não diferem muito do levantamento da CET que, entre setembro de 2008 e abril último, realizou vistoria mecânica em 1.008 veículos que passaram por inspeção gratuita e voluntária em seus pátios. Do total, 83% apresentaram pelo menos um dos problemas mecânicos graves, como falhas de freios, vazamento de óleo ou desgaste de peças.De acordo com a Lei Municipal nº 14.274, desde o ano passado, o mês de junho foi eleito o mês da Conscientização pela Manutenção Preventiva de Automóveis. Neste mês, portanto, entre os dias 15 e 19, o motorista pode levar o seu veículo à Estação de Inspeção Técnica Veicular Gratuita, localizada no Centro de Treinamento da CET, na zona oeste, para uma avaliação das condições e itens de segurança (freios, suspensão, amortecedores e pneus), além de componentes como bateria, embreagem, sistema de arrefecimento, etc. Paralelamente, o Grupo de Manutenção Automotiva (GMA) - formado pelas entidades que representam o setor de reposição (Sindipeças, Andap, Sicap, Sincopeças e Sindirepa) -, juntamente com o Instituto de Qualidade Automotiva (IQA), mantém o Programa Carro 100%, com o objetivo de conscientizar os proprietários da importância da manutenção preventiva, como forma de garantir maior segurança no trânsito, reduzir a emissão de poluentes e o consumo de combustível.A manutenção preventiva custa, em média, 30% menos do que a corretiva e a obediência às recomendações do fabricante mantém o consumo médio de combustível e o índice de emissão de poluentes dentro dos padrões de tolerância. Mas o que realmente poderá mudar o comportamento da maioria dos motoristas será a inspeção mecânica obrigatória, vinculada ao licenciamento dos veículos, conforme estabelece o Código de Trânsito. No entanto, há mais de dez anos espera-se pela sua regulamentação, dada a disputa interminável entre instâncias de governo interessadas na arrecadação da taxa da vistoria. Enquanto isso, a frota cresce, envelhece e a insegurança aumenta.

, O Estadao de S.Paulo

30 de maio de 2009 | 00h00

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