Transporte público pior

Apesar dos investimentos na expansão da rede de metrô e na modernização das linhas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e das promessas da Prefeitura paulistana de melhoria do sistema de ônibus na capital, os usuários estão mais descontentes com o transporte público na Grande São Paulo. Para eles, os serviços de metrô, ônibus e trens metropolitanos pioraram em 2011.

O Estado de S.Paulo

10 Fevereiro 2012 | 03h11

Motivos para o descontentamento não faltam. O excesso de passageiros é uma das principais queixas dos usuários dos transportes públicos da capital e dos demais municípios da Grande São Paulo, de acordo com pesquisa anual patrocinada desde 2005 pela Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP) - entidade da qual fazem parte as empresas públicas e sindicatos de empresas privadas do setor.

A espera excessiva, pois muitas vezes o trem ou ônibus chegam lotados e não conseguem receber mais passageiros nos pontos de parada, e a baixa velocidade de circulação (no caso dos ônibus) são outros pontos negativos do sistema de transporte público da maior região metropolitana do País.

No ano passado, a qualidade dos serviços piorou em todas as modalidades de transporte público, na opinião dos usuários. O metrô, por exemplo, foi considerado "excelente ou bom" por 74% dos entrevistados, uma avaliação muito positiva se comparada com a de outros meios, mas 10 pontos inferior à de 2009. O sistema está sendo "vítima de seu próprio sucesso", na interpretação que o engenheiro Rogério Belda, diretor da ANTP, dá à queda da avaliação, a seu ver consequência da expansão da rede metroviária. "Quando tinha poucas linhas, era avaliado pelo serviço delas. Agora, há um embrião de rede", diz Belda.

A direção do metrô ressalta que o sistema absorveu mais 1,3 milhão de passageiros em 2011, sendo 500 mil em razão da abertura das Estações República e Luz da Linha-4. Esse número mostra que havia, e ainda há, grande demanda por transporte público eficiente como o metrô, ainda que lotado nos horários de pico.

O fato, lembrado pela empresa, de que "São Paulo é a única cidade no mundo ocidental com quatro obras do metrô em andamento" - nas Linhas 2-Verde, 4-Amarela, 5-Lilás e 17-Ouro - mostra que as autoridades estão procurando atender a essa demanda, que se manteve reprimida durante muitos anos.

Também os serviços da CPTM tiveram, em 2011, avaliação pior do que no ano anterior. Dos entrevistados em 2011, 48% consideraram seu serviço bom ou excelente, contra 54% na pesquisa anterior. Avaliados isoladamente, dois sistemas foram considerados os melhores da Grande São Paulo: o Expresso Tiradentes (80 mil passageiros por dia) e a linha São Mateus-Jabaquara operada pela Emtu (250 mil passageiros por dia).

Já a avaliação do sistema de ônibus - o mais importante de todos, pois é utilizado por mais da metade dos usuários de transportes públicos da região - foi a que ais piorou. Em 2010, 59% diziam que o serviço era ótimo ou bom; em 2011, apenas 40%. O problema é mais complicado em São Paulo. A SPTrans, responsável pelos ônibus da capital, tem informado que, de 2005 até agora, mais de 80% da frota foi renovada, e muitos veículos foram substituídos por outros de maior capacidade. Assim, mesmo sem aumento da frota, a oferta de assentos cresceu.

Do ponto de vista operacional, porém, os usuários não viram grande melhora. Dos 66 quilômetros de corredores de ônibus prometidos pela Prefeitura no início do ano passado muito pouco saiu do papel. A velocidade média dos veículos - que, como o índice de lotação, é fator essencial para o conforto do passageiro -, se não diminuiu, continua muito baixa, o que torna as viagens cada vez mais irritantes.

O transporte público tornou-se "um agente comprometedor da qualidade de vida" de muitos moradores da Grande São Paulo, observou Maria Aparecida Toledo, uma das coordenadoras da pesquisa da ANTP. Não é de estranhar, por isso, que sua avaliação seja cada vez pior.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.