Troca de comando na Educação

O governador José Serra acaba de fazer a primeira troca em seu secretariado, quase sete meses após ter assumido o cargo, substituindo a pedagoga Maria Lúcia Marcondes Vasconcelos pela socióloga Maria Helena Guimarães de Castro na Secretaria de Educação. Responsável pela gestão de 5 mil escolas de ensino básico na capital e no interior, com 236 mil professores e 6 milhões de alunos, a Pasta é uma das maiores e mais complexas da administração estadual. A escolha de Maria Helena não causou surpresa, uma vez que a nova secretária, além de estar politicamente ligada a Serra desde o tempo em que ambos trabalhavam na Unicamp, sempre militou no PSDB e é respeitada especialista em questões de educação. Além de ter dirigido as Secretarias de Assistência e Desenvolvimento Social e de Ciência e Tecnologia no governo de Geraldo Alckmin, ela foi presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), secretária de Ensino Superior (Sesu) e secretária-executiva do Ministério da Educação (MEC) no governo Fernando Henrique, quando se notabilizou por chefiar a equipe que concebeu e implantou as duas primeiras bem-sucedidas experiências de avaliação de ensino com alcance nacional: o antigo Provão e o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).A secretária demissionária, que é doutora em educação pela USP, havia sido nomeada em abril do ano passado pelo governador Cláudio Lembo, com quem trabalhara na Universidade Mackenzie, da qual foi reitora. Por razões políticas, Serra decidiu mantê-la quando montou seu secretariado, enquanto Maria Helena aceitava o convite do governador José Roberto Arruda para chefiar a Secretaria da Educação do Distrito Federal, onde ficou até junho. Embora a substituição de Maria Lúcia por Maria Helena tenha sido justificada por razões de saúde, a imprensa noticiou que o governador estava descontente com algumas polêmicas medidas tomadas pela secretária demissionária, especialmente a orientação para que os professores da rede estadual de ensino arredondassem as notas dos alunos para cima e a contratação de entidades privadas para assessorarem na preparação e publicação de material escolar. Sejam quais forem os reais motivos que levaram Serra a promover a primeira alteração em sua equipe, o fato é que está criada uma oportunidade para que São Paulo ataque com eficiência o problema da qualidade do ensino. Embora os últimos governos tenham tido o mérito de universalizar o ensino básico, a ponto de o Estado ter hoje 99% de suas crianças com idade de 7 a 14 anos nas escolas, eles não conseguiram melhorar a qualidade do ensino, que não dignifica o Estado mais rico da Federação. Alguns secretários de Educação souberam estabelecer prioridades, implantando políticas de capacitação de professores e programas de recuperação e aulas de reforço para os alunos. Mas outros perderam tempo e recursos com medidas pontuais e com políticas equivocadas, como a adoção do regime de progressão continuada, que substituiu a avaliação anual pela avaliação por ciclos de quatro anos. Na prática, esta política levou à aprovação automática, sem preparar os alunos para o ensino médio. É por esse motivo que o nível médio de rendimento dos estudantes da rede pública paulista caiu proporcionalmente muito mais do que no resto do País, conforme foi evidenciado pelas últimas avaliações realizadas pelo MEC, como o Saeb e o Enem. Na Prova Brasil de 2006, que avalia o ensino fundamental em 27 Estados, os estudantes dos colégios estaduais paulistas ficaram em 5º lugar em português e em 8º em matemática. Em suas primeiras declarações, a nova secretária da Educação afirmou que "os resultados das avaliações precisam chegar às salas de aula". Maria Helena Guimarães de Castro sabe que, graças ao êxito dos mecanismos de avaliação do ensino, ela dispõe de um minucioso levantamento do que tem de ser feito para se elevar o nível de qualidade da rede escolar pública. Agora é preciso passar do diagnóstico à ação. Com a mudança na Secretaria da Educação, São Paulo dispõe de uma técnica à altura desse desafio.

O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2026 | 00h00

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